Uma obra que quebra o silêncio do museu

O celebrado grupo Chelpa Ferro apresenta no Projeto Octógono da Pinacoteca obra que espalha som por todo o prédio

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2009 | 00h00

Um som estranho se espalha por toda a Pinacoteca a partir do espaço central do museu centenário, de seu octógono com teto de vidro e paredes de tijolos. Enquanto o visitante passeia pelos corredores do prédio, indo de uma exposição a outra no primeiro andar; ou mesmo pelo piso superior, onde estão instaladas uma série de esculturas, ele é instigado por uma música que por ora se torna agressiva, mas que também por vezes desaparece, deixando que o silêncio volte ao museu. Essa experiência só é agora possível por causa de uma obra específica, Totoro, nova criação do grupo Chelpa Ferro, formado pelo trio de artistas Barrão, Luiz Zerbini e Sergio Mekler, feita para o Projeto Octógono de Arte Contemporânea da Pinacoteca, sob curadoria de Ivo Mesquita.Totoro é feita de uma escultura de madeira, um cilindro com três metros de altura e um metro de diâmetro, estancado no chão, que recebe em seu interior uma estrutura de 140 quilos formada por caixas de som que sobe 12 metros de altura e desce em movimento vertical e lento a partir de um sistema de roldana. Do ponto de vista estético, é uma obra bem limpa e neutra, mas, como sempre nas criações do Chelpa Ferro, criado em 1995 pelos três amigos, é o som e o ritmo (tocados e gravados por eles mesmos) a matéria principal do trabalho. "Dessa vez produzimos algo com menos rock, sem guitarras, mais uma textura de sons criados com sintetizadores", conta Mekler."É uma obra superneutra. Primeiro pensamos que deveríamos fazer algo simples e em que o som preencheria o espaço, mas depois tivemos a ideia de criar uma caixa, que se transformou em parte importante e escultórica", diz Barrão. A escultura de madeira, portanto, foi pensada, reitera Zerbini, como "opção acústica", mas é curioso como sua aparência e cor fazem com que a peça se misture à arquitetura do prédio da Pinacoteca. Ainda mais, como a posição do octógono é central no edifício, assim como a obra está bem no meio desse espaço, essa característica potencializa a ação de Totoro: é como se ela fosse o motor principal de todo um museu adormecido.Zerbini, Barrão e Mekler, que vivem no Rio e têm também carreiras artísticas individuais, formaram o celebrado e bem-sucedido Chelpa Ferro de uma maneira livre para fazerem performances com sons e guitarras. Mas dentro de uma dinâmica criativa e fértil, suas obras foram também indo para o campo da criação de instalações e objetos (sempre a partir do uso de materiais do cotidiano) em que o som e o ritmo são o elemento propulsor. ServiçoChelpa Ferro e Margaret Mee - 100 Anos de Vida e Obra. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, Luz, tel. 3324-1000. 3.ª a dom., das 10 h às 18 h. R$ 4 (sáb. grátis). Até 15/3

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