Uma história de amor como Hollywood já não faz

Filme de Mike Newell inspirado em García Márquez, que estréia no dia 28, foi todo gravado na Colômbia

Entrevista com

O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

Após o sucesso de Central do Brasil, que lhe deu prêmios importantes em todo o mundo - e a colocou entre as finalistas para o Oscar da Academia de Hollywood -, Fernanda Montenegro foi tão assediada por produtores de fora que, como diz, um dia teria de tentar. Ela admite que fez O Amor nos Tempos do Cólera um pouco por curiosidade. ''''O Mike (o diretor Newell) me ligou dizendo que o papel era pequeno, mas importante e ele gostaria muito que eu fizesse. Até para poder dizer não, li o roteiro (de Ronald Harwood, vencedor do Oscar por O Pianista, de Roman Polanski) e achei bem adaptado. O filme seria uma grande produção de Hollywood, mas filmado na Colômbia, com uma equipe predominantemente latina. Só de brasileiros, éramos sete, incluindo o fotógrafo Afonso Beato e o compositor Antônio Pinto. Entre idas e vindas, trabalhei durante um mês. Foi uma grande experiência.'''' Assista ao trailer do filme O Amor nos Tempos do CóleraFernanda admite que uma coisa pesava contra - ''''É muito difícil representar em outra língua.'''' Mas ela assumiu o fazer sua personagem, que significativamente se chama Trânsito, em inglês. Uma cena no roteiro foi decisiva para que ela dissesse sim. Trânsito enlouquece de solidão, de medo pelo futuro do filho. ''''No livro, isso é muito mais detalhado, mas no filme havia aquela cena da Trânsito em casa, uma velha maquiada como se fosse uma boneca.'''' Era preciso achar o tom certo. Não ser exagerada nem caricatural. Mike ajudou muito para que Fernanda achasse o equilíbrio.Boa parte da equipe técnica vinha do México, o elenco de apoio era predominantemente colombiano, Afonso Beato levou seus assistentes de câmera. Uma grande confraternização latino-americana e sob o comando de um diretor que tinha grande respeito, não só pelo material, mas pela cultura latina. ''''O Mike disse, quando veio ao Festival do Rio, que não conhecia nada da cultura latina. O filme foi uma descoberta para ele.'''' Uma coisa Fernanda não deixa por menos e considera genial - é a trilha de Antônio Pinto, que já havia feito Central do Brasil. ''''Antônio fez um trabalho maravilhoso'''', ela diz. L.C.M.

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