Uma feira voltada para mercado e para a reflexão sobre o meio

Ideia é reafirmar o papel do profissional como artista que documenta a história

Simonetta Persichetti, O Estadao de S.Paulo

01 de setembro de 2009 | 00h00

Cada vez mais protagonista nas galerias e museus do mundo todo, a fotografia se apresenta em São Paulo na terceira edição da SP-Arte/Foto (de 9 a 13 de setembro no Shopping Iguatemi) como a expressão mais significativa da arte contemporânea. Polissêmica, poderá ser vista nas suas mais variadas estéticas distribuída pelas 17 galerias provenientes de São Paulo, Rio e Bahia que no total vão apresentar 300 imagens. Desde o começo dos anos 90 a fotografia - que sempre fez parte das coleções de museus - fica mais expressiva dentro de um novo mercado que é o das galerias. Crescem também os festivais internacionais, aumentam as publicações de livros, portfólios de artistas e um debate, antes restrito, se alarga e se propaga até nas universidades.Realizada pela SP-Arte - Feira Internacional de Artes de São Paulo -, criada e organizada há cinco anos por Fernanda Feitosa, resultado de sua vontade férrea de agregar num único espaço artistas, galeristas, colecionadores e amantes da arte, a SP-Arte/Foto (que até o ano passado se chamava I-Contemporâneo Circuito da Fotografia) percebeu este movimento e neste ano, pela primeira vez, criou um painel de encontros em que convidados internacionais e nacionais poderão debater o estatuto da fotografia no panorama mundial: "Desde o início da SP-Arte, notei o crescente interesse do público pela fotografia, assim como o das galerias em trabalhar, cada vez mais, com fotógrafos. Daí o surgimento de uma feira só para a fotografia", comenta Fernanda.Para ela, "todo mundo tem dentro de si um fotógrafo e as pessoas têm uma afinidade muito grande com a fotografia, que é uma linguagem que agrega e cada vez mais divide espaço com a pintura dentro das preferências de colecionadores e apreciadores de arte". Ela mesma é colecionadora e deixa bem claro que o evento é, sim, uma feira e como tal sua primeira proposta é incrementar o mercado das imagens: "Só no ano passado mais de seis mil pessoas passaram pela feira de fotografia e mais de 13 mil na de arte na Bienal do Ibirapuera. Um novo público de colecionadores está se formando e a maioria é de jovens."E ela é assim. Antenada, visionária - no que esta palavra tem de melhor -, Fernanda Feitosa arrisca, ousa e apresenta logo na entrada do evento uma parede com fotos jornalísticas produzidas pelos profissionais do Estado (leia texto ao lado): "Quero mostrar onde a fotografia está. Nas mais variadas formas de conhecimento. Reafirmar o fotógrafo como artista, como autor. Quero criar um polo de discussão e não ser apenas reflexo do que se mostra e aparece nas galerias do mundo todo. O fotojornalismo é a documentação do nosso dia a dia."Depois do 11 de Setembro, as imagens do atentado passaram a participar de leilões e aparecer em contextos até então alheios a ele. Por isso, o fotojornalismo aparece também nas imagens de Jean Manzon, Hildegard Rosenthal, na agência Magnum, nos registros de Otto Stupakoff, que foi um grande fotógrafo de moda, além de mais de 80 artistas que se expressam fotograficamente das mais variadas formas.Difícil apontar destaques dentro de um evento como este, mas é mais fácil perceber pontos que merecem atenção como a presença do fotógrafo Elliot Erwitt, da Magnum; das fotografias de Abelardo Morell, fotógrafo cubano radicado em Nova York, conhecido no Brasil pela sua série Câmara Obscura (apresentada no MAM-SP em 2006); assim como a presença de Mark Lubell, diretor executivo da Magnum Photos, e de Jean-Luc Monterosso, diretor da Maison Européenne de la Photographie de Paris. É preciso também relevar a bela homenagem da galeria Paulo Darzé, da Bahia, que traz uma série de imagens de Mario Cravo Neto (1947-2009), sem, contudo, colocá-las à venda. Uma homenagem silenciosa mais do que merecida. Um evento que reflete sobre a ascensão e a importância da fotografia no mercado da arte. Uma feira que reafirma o papel fundamental da fotografia na sociedade contemporânea. Um possibilidade de aprender a olhar!

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