Uma fascinante trajetória de luta e pela cena livre

Galpón, do Uruguai, destaca-se entre os 12 grupos da Mostra Latino-Americana

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

04 de maio de 2009 | 00h00

É no mínimo fascinante, e sobretudo relevante, a trajetória do grupo teatral El Galpón, fundado no Uruguai em 1947, momento de efervescência em que Montevidéu, então com 1 milhão de habitantes viu nascer 15 companhias de teatro independente. Sustentado por um sistema de assinaturas, o Galpón sedimentou sua linguagem, criou um centro de formação de atores, abriu duas salas, acumulou público, repertório, acervo. A primeira fase, bem-sucedida em termos de produção e estética, durou até 1976 quando o autoritarismo que se espalhou pela América Latina atingiu o país. El Galpón foi posto na ilegalidade, teve seu acervo confiscado, seus artistas exilados no México. Ali recriam o Galpón e chegam a fazer 1,5 mil apresentações só na capital. Ainda no exílio vieram ao Brasil pela primeira vez, em 1981, com Pluto, de Aristófanes, e Prohibido Gardel. O grupo volta ao Uruguai em 1984 e, no ano seguinte, o presidente Julio Maria Sanguinetti coloca o teatro oficialmente na legalidade. A sede havia sido demolida, o acervo destruído. O sistema de assinaturas é refeito e o grupo volta a ser o principal representante do teatro independente do Uruguai. Atualmente, no repertório que mantém em cartaz, está a peça Los Siete Gatitos, de Nelson Rodrigues.Por tudo isso, merece destaque a participação do Galpón, com a montagem de Un Hombre Es Un Hombre, de Brecht, na programação da 4ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo realizada pela Cooperativa Paulista de Teatro com patrocínio da Petrobras. De hoje até domingo, 12 companhias de seis países, entre eles Argentina, México e Peru vão se apresentar, com entrada grátis, no Centro Cultural São Paulo. Haverá ainda encontros, oficinas, debates e venda de livros. A cada dia será impresso um jornal com críticas de especialistas brasileiros e estrangeiros sobre as montagens apresentadas.Brasileiros marcam presença na mostra em pé de igualdade com estrangeiros. O Galpão de Minas, por exemplo, faz pré-estreia de Till Eulenspiegel, de Luis Alberto de Abreu. Dirigido por Marcio Marciano, que foi da Cia. do Latão e hoje mora em João Pessoa, Quebra-Quilos está entre as atrações que merecem ser vistas. Há ainda a participação da Cia. dos Atores, com duas peças curtas, Talvez e Apropriação e o saboroso Volta ao Dia, dirigido por Márcio Abreu, que já rodou festivais pelo Brasil. A programação completa da mostra pode ser conferida no site.

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