Uma cantora em busca do que vai além do conhecido

Em Novos Alvos, Ana Costa flerta com estéticas mais amplas

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

Ana Costa acredita que a função do artista é "buscar coisas além do que a gente já sabe". Novos Alvos, seu novo trabalho, sintetiza o modo como a cantora encara a arte e a própria vida. Como diz a letra de Novos Alvos - parceria com Mart?nália e Zélia Duncan -, Ana Costa está "esperando notícias de outro lugar". Ouça trecho de AntigaEste é o segundo disco da cantora e violonista carioca depois de Meu Carnaval - "CD mais festivo e colorido, um cartão de visitas" -, quando ela não integrava mais os grupos Coeur Samba e O Roda. Em Novos Alvos (Zambo Discos), ela testou "uma estética mais ampla", ao chamar Alê Siqueira para fazer a produção. "Ele é um produtor de MPB, mais ligado à música contemporânea do que ao samba." Alê produziu, entre outros, Elza Soares, Daniela Mercury, José Miguel Wisnik e Tribalistas. A instrumentação varia nas 11 faixas, e os arranjos estão mais enxutos. "Preservamos a estrutura acústica, não tem coisa eletrônica, por mais que pareça." Três composições - Novos Alvos; Coisas Simples (Cláudio Jorge e Elton Medeiros); e Quer Amar Mamãe (Martinho da Vila) - são regravações. "Neste CD existe uma unidade, porque partimos sempre do samba, mas não um padrão." Ana mantém a fidelidade aos "ritmos brasileiros", sem ficar escrava do "samba de raiz".Os "sambas tortos", como diz a violonista, de 41 anos, ficam por conta de Carlinhos Brown e Luiz Tatit. O primeiro é autor de Samba Cria Lei: "Fora o saldo devedor/ Fica-se devendo o amor/ Grito pra ser bonito/ O carnaval que salva/ Salva a sua, salva a minha/ Dona Marta, o Rio chora/ Sabe que o Reino da Glória/ É sambar com a Rocinha." Almas Gêmeas, de Tatit, tem a participação de Moska e fala de uma "dupla homogênea", na qual o ser amado "é a dependência que me liberta e conserta", além do "chão seguro em que eu piso". A paixão também aparece em Estranho (Mario Lago Filho e Décio Carvalho), contando "que bonito é ver o amor presente, se mostrando vaidoso ao objeto amado." Os sambas tradicionais são Caderneta - A Minha Nega (Evandro Lima, Silvão Silva e Claudinho Guimarães) e Coisas Simples. Quer Amar Mamãe, congo com levada de maculelê, exibe as raízes africanas de Ana Costa.Crônica de Uma Cidade Armada (Celso Fonseca) fala de uma cidade - Rio - que perdeu a liberdade e a inocência. Para mostrar a agonia de um canto aprisionado e triste, a voz de Ana é acompanhada apenas por um violão, uma cuíca e três surdos. Leila Pinheiro faz duo em Antiga, parceria com Zélia Duncan. Essa canção resume a arte de Ana Costa. "Gosto do que é humano/ Do que é quase falha/ Gosto do que abala a equação/ Eu gosto de ouvir meu coração." A vida se dá sem fórmulas.

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