Uma baleia de jeans, quem diria, foi parar no museu

João Loureiro fez para Projeto Octógono obra que reflete sobre o entretenimento

, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

Uma baleia feita de jeans? O visitante que chegar à Pinacoteca, no prédio da Praça da Luz, vai encontrar no octógono do museu uma obra estranha e absurda criada por João Loureiro: uma grande escultura ou objeto que representa uma baleia de 18 metros de comprimento no seu espaço central. "Ela não está encalhada, não tem drama", já diz o artista, de 36 anos. Convidado pelo curador da Pinacoteca, Ivo Mesquita, a fazer um trabalho especialmente para o local, Loureiro quis realizar uma obra de viés crítico. A baleia é monumental, mas feita de isopor e revestida de um tecido tão ligado à ideia de consumo, o jeans. Loureiro afirma que a arte contemporânea também é revestida por certa espetacularização e entretenimento e esse é o ponto principal de reflexão que o artista propõe.Tudo bem que o lado crítico da obra não seja assim tão "palatável a todos", como diz o artista, já que à primeira vista ou apenas Blue Jeans possa ser apreciada simplesmente como algo que se abre para o campo da curiosidade. Rapidamente o visitante se pergunta se aquilo é uma baleia; ou qual seria o seu tamanho, por exemplo, e já nessa instância o trabalho toca naquelas questões de ser um objeto espetacular e que promove o entretenimento. Interessante também que não conseguimos apreender, de primeiro impacto, a baleia em sua totalidade, porque a parte traseira do animal, seu rabo, passa por uma das portas do octógono e chega ao espaço lateral a ele. "Não é um trabalho panfletário, mas com camadas de significações", reforça Loureiro.Ao mesmo tempo, escolher a figura de uma baleia pode fazer uma referência aos museus de história natural, como diz Mesquita. O artista afirma que é interessante pensar ainda sua obra em relação ao perfil da Pinacoteca, instituição que, principalmente, tem sua raiz na arte do século 19, mas que também vai formando seu acervo passando pelas artes moderna e contemporânea e abriga mostras temporárias das mais ecléticas, como as de temas culturais (sobre Japão, Peru, etc.). O espaço do octógono, central no prédio, é o que se dedica integralmente à produção contemporânea.

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