Um Weber vilanesco de presente de Natal

Ator fala sobre seus trabalhos na TV neste ano e sobre o retorno ao teatro

Patrícia Villalba, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2008 | 00h00

O ator Guilherme Weber passou um ano mostrando em larga escala, na televisão, o talento que o público fiel do bom teatro se acostumou a ver em montagens como A Vida É Cheia de Som e Fúria e Educação Sentimental do Vampiro. Ele encerra o ano profissional hoje, como o Marquês de Itanhaém da fábula O Natal do Menino Imperador, especial que a Globo exibe às 22 h (ou, como anunciado. "depois de A Favorita").Weber vive o personagem histórico carregado em tintas da vilania, como seria visto pelo menino que aos 9 anos se preparava para comandar o Império. Antes dele, o ator foi o incrível Benny da minissérie Queridos Amigos (que lhe rendeu o prêmio de melhor ator de TV na votação da APCA) e, entre os dois, viveu o dândi Arthur X da novela das 6 Ciranda de Pedra. São três personagens que, guardadas as sutilezas, têm em comum a performance.Depois da maratona televisiva, Weber volta aos palcos de São Paulo para comemorar os 15 anos da Sutil Companhia de Teatro, que mantém em Curitiba com Felipe Hirsch e Érica Migon. Em 5 de fevereiro, eles trazem à cidade uma retrospectiva com as montagens de A Vida É Cheia de Som e Fúria, Avenida Dropsie e Não Sobre o Amor, para uma temporada de dois meses.Quando você fez a novela Da Cor do Pecado, em 2004, já tinha uma estrada no teatro. Por que demorou tanto tempo para ir para a TV?Eu sempre tive o foco principal no teatro. Comecei a fazer teatro amador em Curitiba e resolvi fundar uma companhia com o Felipe Hirsch, a Sutil Companhia de Teatro. Fiquei muito empenhado em fortalecê-la. Em 2003, percebi que ela estava estabelecida, e que era tempo de me dedicar a outras coisas. Em 2004, tirei um ano sabático. Fiz o Árido Movie (de Lírio Ferreira), depois o Nina (de Heitor Dália) e vim para o Rio gravar novela. Agora, consegui uma maturidade de logística para administrar três mídias.Deve ser uma tentação ser chamado para a TV, que tem grande projeção, e não aceitar.É mais imediato. E tem um mito também de que se você disser não para a TV não vai ser mais chamado. Mas tive o privilégio de vir para a televisão pelas mãos da Maria Adelaide, da Denise e do Silvio de Abreu, que até achavam louvável o meu gesto. Em O Natal do Menino Imperador você é o Marquês de Itanhaém. É uma composição diferente dos seus outros personagens, todos ficcionais?Ele também tem tintas fortes de composição. O programa é uma fábula, uma noite de Natal vista pelos olhos do Pedro II garoto. Por isso, os personagens se tornam um pouco arquétipos. Tem um pouco ali da luta da criança contra o mal e um olhar humanista sobre a infância. No especial, o marquês é visto como o mal, o vilão, porque era o cara que exigia rigor do menino, para prepará-lo para assumir o Império. Visualmente, o programa tem uma reconstrução de época muito fiel. Eu pintei o cabelo, uso uma barba falsa. Mas parou por aí, porque o único registro que temos dele é visual. E a (diretora) Denise Saraceni me pediu para fabular esse personagem, torná-lo bastante vilanesco.Como é manter a Sutil Companhia de Teatro em pé?É muito difícil. Não temos patrocínio fixo, por exemplo. Mas ela é peculiar, porque é uma companhia de criadores. É a maneira que a gente encontrou de se manter ativo. E de administrar criações, não egos.Por que Curitiba?Costumo dizer que Curitiba é uma doença sem cura. A necessidade de se manter em Curitiba é criativa, não logística - até porque não há nenhum apoio do governo ou de alguma fundação cultural ao nosso trabalho. Curitiba é a cidade que forneceu os nossos signos, a nossa primeira depuração de repertório. Ao mesmo tempo, conseguimos estabelecer uma relação muito forte com São Paulo, que sempre recebeu os exilados. São Paulo é a cidade que nos mostrou para o Brasil, quando montamos aqui A Vida É cheia de Som e de Fúria (1999). São Paulo sempre nos recebeu muito bem. Tanto é que vamos comemorar os nossos 15 anos no Teatro do Sesi, na Paulista. As minhas mais lindas memórias de teatro são daquele palco.E como é reviver o Rob Fleming de A Vida É Cheia de Som e Fúria?A minha abordagem desse personagem era muito mais performática. Fiquei mais maduro e, hoje, a performance está tão assimilada nesse personagem, que posso abordá-lo de maneira mais realista, mais humana. É também um espetáculo que fala sobre o amor, um assunto que abordamos em outros espetáculos da companhia. Então, essas novas pesquisas interferem na maneira de a gente olhar o amor nesse espetáculo.

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