Um homem, uma bala de revólver e o filme da vida

Um ator , só em cena, fala o seu texto praticamente sem se mover. A expectativa torna-se positiva quando se sabe que o diretor é Antonio Januzelli, o mesmo que conseguiu orientar o ator Henrique Schaffer a alcançar um perfeito equilíbrio entre intensidade e contenção no monólogo O Porco.Desta vez, Januzelli dirige Marcello Airoldi, um de seus muitos alunos na Escola de Arte Dramática (EAD-USP), colega de turma de Marat Descartes e Gero Camilo. Com texto deste último, Airoldi já levou ao palco o texto Café com Torradas. Há seis anos integra o grupo teatral Ventoforte, dirigido por Ilo Krugli. A partir de hoje, arrisca-se num texto de sua autoria, Um Segundo e Meio, que será apresentado às quartas-feiras no Sesc Consolação.Sabe aquele filme da vida, que passa pela cabeça num instante de grande perigo, no qual um ser humano chega a ter certeza de que vai morrer? "Existe essa lenda e o título faz referência a ela", diz Airoldi. O personagem que ele criou com palavras e agora dá vida com seu corpo é alguém que à primeira vista caminha, faz uma trajetória, porém corre com ele uma bala, de revólver."A gente chamou nos ensaios de tempo poético esse fragmento de vida no qual alguém refaz seus passos", diz Airoldi. A morte, no caso, pode ser até metafórica, pode significar um momento de passagem. "Morrer significa também deixar para trás e, para isso, é preciso fazer um balanço do que vale ou não fazer. É um fluxo de palavras e tudo na cabeça dele." ServiçoUm Segundo e Meio. 50 min. 12 anos. Sesc Consolação. R. Dr. Vila Nova, 245, 3.º A. 4.ª, 21h. R$ 2,50 a R$ 10. Até 24/9

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