Um filme para avaliar o conceito de violência nos últimos 40 anos

Em 1966, Richard Brooks fez um western que se tornou clássico, sobre dono de terras que contratava quatro mercenários (entre eles, Burt Lancaster e Lee Marvin) para recuperar sua mulher que teria sido seqüestrada por revolucionários mexicanos. Na verdade, ela fugiu do marido opressor para se juntar ao líder dos revolucionários, a quem ama. É um belíssimo filme - e fez escola.É só ver Caçada Sádica, de Don Medford, hoje às 19h35 no Telecine Cult. De novo, um western, agora centrado na figura desse fugitivo (Oliver Reed) que seqüestra a mulher (Candice Bergen) de um homem muito rico. O marido, interpretado por Gene Hackman, põe seus sicários no rastro da dupla. A mulher se envolve com o seqüestrador, que a trata melhor que o marido autoritário.Em 1970/71, quando o ex-ator Medford fez seu filme, o feminismo já era forte a expressar as insatisfações e necessidades das mulheres. Candice, no filme, não deixa de ser uma heroína pós-feminista. Mas o universo retratado por Medford é o masculino. Caçada Sádica foi considerado excessivamente violento, num período em que Sam Peckinpah já fizera seus westerns sangrentos. Até por isso, é um programa curioso, para avaliar como o próprio conceito de violência mudou nos últimos 30/40 anos.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2008 | 00h00

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