Um dos grandes redutos do samba vai para o CD

Berço do Samba de São Mateus, onde surgiu parte do Quinteto em Branco e Preto, faz apresentação no domingo no Sesc Itaquera, ao lado de Beth Carvalho

Francisco Quinteiro Pires, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2014 | 00h00

A sambista Beth Carvalho considera São Mateus, na zona leste, um dos maiores redutos de samba do Brasil. ''''A rapaziada tem um conhecimento profundo do samba, eles são uma enciclopédia, o que não é muito comum'''', diz. As músicas pouco conhecidas, algumas com até 20 anos de existência, dos compositores de São Mateus agora podem mostrar, ao País, sua origem na rica cultura popular com o lançamento do CD Berço do Samba de São Mateus (Selo SescSP, R$ 10) e com uma série de shows, o primeiro no domingo, no Sesc Itaquera.''''Eles são um novo Cacique de Ramos'''', continua Beth, que aponta certa influência dos sambistas do Rio - que introduziram uma nova sonoridade no gênero e novos instrumentos (banjo, repique e tantã) - no pessoal de São Mateus. ''''Os dois vêm da periferia, eram pouco conhecidos na mídia e têm forte influência das velhas-guardas.'''' E mais semelhanças - do Cacique saiu o Fundo de Quintal, enquanto do bairro da zona leste de São Paulo veio parte dos integrantes do Quinteto em Branco e Preto.''''O samba em São Mateus nasce nas festas nos quintais das tias, onde aprendemos a tocar no olho, vendo o que os mais velhos faziam'''', conta Everson Pessoa, de 27 anos, um dos integrantes do Quinteto, responsável pela produção do disco. São tias como Filó, Ercília, Fifa, Severina e Cida, que nos anos 80 abriam suas casas para festas de até três dias, onde se fazia a batucada que, na década anterior, ressoava na beira do campo após o futebol de domingo.Neto do sambista Otávio Henrique de Oliveira (1919-1983), conhecido pelo apelido Blecaute, e da tia Ercília, Tocão, de 38 anos, é um dos músicos que surgiram nessas festas, que, segundo ele, tinham de abrigar o samba porque nos bares havia discriminação contra os sambistas. A situação mudou no fim dos anos 80, quando ele, Timaia, Gerson e Jorge Neguinho começaram a tocar no bar O Que Que Há. ''''Foi a primeira vez que subimos num palco, usamos microfone e, dali em diante, aprendemos a ginga da noite'''', diz Tocão.A aceitação do samba nos bares gerou o Buteco do Timaia, famoso pelo caldo de mocotó e onde o Berço do Samba de São Mateus se reúne e escolheu o repertório do CD, que tem participação de Beth, Almir Guineto e Luizinho 7 Cordas.O nome da roda, aliás, vem da música Berço de Samba (Everson Pessoa e Casca), gravada no segundo álbum do Quinteto, Sentimento Popular. Ela será uma das composições cantadas pela Beth Carvalho na apresentação de domingo, que conta com a presença da Velha-Guarda da Camisa Verde e Branco, do Quinteto em Branco e Preto, do Pagode do Cafofo (Jardim Marília) e do Samba da Vela (Santo Amaro). São Mateus vai se apresentar também no Sesc Pompéia (28/9 e 29/9) e no Sesc Santana (24/10).Serviço São Mateus, Reduto de Grandes Sambistas. Sesc Itaquera. Av. Fernando do Espírito Sto. Alves de Mattos, 1.000, 6523- 9200. Dom., 15h. R$ 2 a R$ 6

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