REUTERS/Benoit Tessier
REUTERS/Benoit Tessier

Um Da Vinci verdadeiro ou falso? As incertezas sobre o 'quadro mais caro do mundo'

Peritos do Louvre atestam que 'Salvator Mundi' foi pintado na oficina de Da Vinci, mas não por ele

AFP, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2021 | 07h36

O "quadro mais caro do mundo", o Salvator Mundi, comprado por US$ 450 milhões pelo príncipe saudita Mohamed bin Salmán (MBS), provavelmente foi pintado na oficina de Leonardo da Vinci, mas não pelo mestre, de acordo com um documentário.

Antoine Vitkine, o diretor do documentário, que será transmitido pela rede francesa France 5 em 13 de abril, investigou a obra, comprada em mau estado por US$ 1.175 milhões por um marchand de Nova York em 2005 e restaurada nos Estados Unidos. Mais tarde, foi autenticada como um verdadeiro Leonardo da Vinci por vários especialistas britânicos e vendida a um oligarca russo, que decidiu revendê-la. No final, foi colocado à venda em novembro de 2017, em leilão, cujo catálogo informava que o quadro foi pintado por Leonardo da Vinci.

Embora o governo saudita nunca tenha confirmado que o príncipe é o dono do "último Da Vinci", relatos concordantes sugerem que foi ele quem o comprou por meio de vários intermediários. Enquanto especialistas expressaram dúvidas sobre se a obra foi ou não realmente criada pelos assistentes de Leonardo Da Vinci, em abril de 2018 "MBS" foi recebido pelo presidente francês Emmanuel Mácron. Segundo fonte interna da administração, citada no documentário, Salvador Mundi estava na pauta do encontro.

Os sauditas pediram à França que um especialista examinasse a pintura, já que o Louvre abriga o C2RMF, laboratório de análise de obras de arte. A pintura teria permanecido ali por três meses. O estudo do perito mostra, segundo a fonte, que "Leonardo só contribuiu para a pintura". O Louvre informou os sauditas.

Mohamed bin Samán queria emprestar a obra ao Louvre para a grande exposição dedicada a Leonardo da Vinci no final de 2019. “Seu pedido era muito claro: expor o 'Salvator Mundi' ao lado da Mona Lisa e apresentá-lo como um 100% Da Vinci. Nestas condições equivaleria a deixar fora de qualquer suspeita uma obra de US$ 450 milhões”, explicou a mesma fonte aos seus superiores. "No final de setembro, Macron trava: decide não aprovar petição MBS". No último minuto, Mohamed bin Salmán recusou-se a emprestar o quadro em condições diferentes das que havia proposto. "Antoine Vitkine contatou o Louvre, mas não queremos responder às suas perguntas, já que a pintura não foi emprestada durante a retrospectiva Leonardo da Vinci", disse o museu, na quarta-feira, 7.

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