Último dia da programação tem público frio

''''Tem alguém aí?'''', perguntou Jorge Du Peixe, músico do Nação Zumbi

Adriana Del Ré, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2030 | 00h00

Os pernambucanos do Nação Zumbi e os brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju, as duas bandas nacionais que marcaram presença no segundo dia do Festival Indie Rock, na noite sexta-feira, amargaram um público ainda menor do que as atrações do dia anterior. Se na estréia do festival, na quinta-feira, achava-se que a platéia dos grupos Moptop e Hurtmold estava esvaziada, na sexta, chegou a dar dó ver uma banda como o Nação Zumbi fazendo seu sempre ótimo show para tão poucos pagantes. Com atraso, o Nação foi colocado no palco para abrir o segundo dia do festival. Jorge Du Peixe, Lúcio Maia e companhia se depararam com um (reduzido) público impassível, que parecia estar lá mesmo para cumprir tabela, enquanto aguardava o show do grupo inglês The Rakes, atração internacional da noite. Mas os músicos do Nação encararam aquele momento como um show habitual de sua turnê. Começaram a apresentação com Hoje, Amanhã e Depois, do último CD, Futura, de 2005. Emendaram com Mormaço e Meu Maracatu Pesa uma Tonelada. Escolhas mais desconhecidas para um público que certamente não é habitué dos shows do Nação Zumbi. Os aplausos - pouco calorosos, mas enfim, eram aplausos - só foram ouvidos ao final da música Macô, do disco Afrociberdelia, de 1995, período em que a banda ganhou notoriedade com Chico Science à frente dela. Du Peixe anunciou o lançamento de um novo CD do Nação, que deve ficar para outubro. Tentou ainda arrancar alguma interatividade de quem estava na platéia. Em vão. Diante da apatia geral, gritou: ''''Tem alguém aí?'''' Voltaram a lembrar os bons tempos de Chico Science com os clássicos A Cidade e Maracatu Atômico, e, após quase uma hora de show, a saideira veio com Quando a Maré Encher. Apesar do esforço, o Nação conseguiu pouca coisa e deve ter estranhado ter deixado para trás público tão frio. Já o desconhecido Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília, deixou claro que, independente de ter diante de si uma platéia apática ou não, o que importava era a oportunidade de estar ali no festival e mostrar a que veio. A banda, liderada pelo ''''elétrico'''' vocalista André Gonzáles, mostrou uma miscelânea de sonoridades, que eles próprios denominam de ''''feijoada búlgara'''': à base de rock, ska, influências de ritmos do leste europeu e também de música brasileira. Tudo isso, acrescido de letras e postura bem-humoradas, com um quê de bandas como Karnak. Assim como André, os outros músicos que compõem a trupe (formada por guitarras, teclados, bateria, sax, gaita, trombone, flauta, baixo) preencheram o palco o tempo todo, andando freneticamente de um lado para outro. Na estrada desde 98, estão divulgando o CD de estréia, de nome Idem.

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