GABRIELA BILO/ ESTADAO
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Último dia da exposição do Castelo Rá-Tim-Bum tem filas e 'gostinho de quero mais'

Público enfrentou horas de espera para entrar na mostra; fila chegou a dar volta completa no quarteirão

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2015 | 18h08

As filas para a exposição Castelo Rá-Tim-Bum, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, chegaram, na manhã deste domingo, a dar literalmente a volta em todo o extenso quarteirão onde está localizado o museu, com o fim delas encontrando o início, na Av. Europa, passando pelas ruas Alemanha, Bucareste e Groenlândia. Mais de 3 mil ingressos foram colocados à disposição na bilheteria do MIS para o último dia da exposição com o maior público da história “moderna” do museu. 

Pelos menos 400 mil pessoas passaram pelos corredores do Castelo desde 15 julho até domingo – os dados oficiais e mais precisos devem ser divulgados na segunda, 26. Um número impressionante mesmo se comparado aos das exposições anteriores, que tiveram como tema Stanley Kubrick e David Bowie, ambas consideradas sucessos absolutos na época e que também quebraram recordes: cada uma recebeu 80 mil pessoas.

A pergunta que pairou no ar foi: por que o MIS não prorroga – mais uma vez – a mostra? Pessoas chegavam aos portões do museu e iam embora decepcionadas ao confirmar que não haviam mais ingressos. A página do MIS no Facebook é um verdadeiro mural de lamentações: “prorroguem!” é a palavra de ordem da vez. O fim da exposição foi prorrogada duas vezes durante os sete meses em que ficou em cartaz.

A próxima grande mostra no local está prevista para abrir no dia 10 de fevereiro: Jessica Lange: Fotógrafa. Sim, a própria Jessica Lange, atriz vencedora do Oscar duas vezes (por Tootsie, 1983, e Céu Azul, 1995), também conhecida por interpretar a mocinha do King Kong, de John Guillermin, em 1976, e por mais recentemente botar no bolso o elenco mais novo da série American Horror Story. Seu trabalho, menos conhecido, como fotógrafa chega agora ao Brasil, possivelmente com a presença da atriz na abertura da exposição.

A boa frequência de público no MIS tem contribuído para os números da Secretaria da Cultura do Estado. No fim da semana passada, a secretaria divulgou um balanço geral de 2014: 3,7 milhões de pessoas passaram por seus museus, um crescimento de 12% em relação a 2013. Ações como a gratuidade em alguns dias da semana são apontadas como as responsáveis por esse aumento. Além do MIS, estão na lista de instituições da secretaria a Pinacoteca, o Museu do Futebol, o Museu da Língua Portuguesa, entre outros.

Lembranças. Após filas de madrugada e pela manhã, no início da tarde de ontem, o clima era mais tranquilo nas imediações do museu. Quem aguardava sua vez se escondia nas sombras improvisadas e não era raro ver gente encostada nos cantos tirando uma soneca. Quem estava por lá por volta das 13h tinha chegado, em média, perto das 5h.

Caso de Jéssica Mesquita, de 24 anos, que saiu de Diadema para comemorar o aniversário na exposição do Castelo. Fã do programa desde criança, ainda arrastou o namorado, William, de 28, que a acompanhou “só pelo rato” – mais de nove horas de dedicação e espera honram a canção que o ratinho cantava: “meu pé, meu querido pé que me aguenta o dia inteiro”.

Havia também crianças menores, mas a maioria do público tinha nascido nos anos 1990, ou pouco antes.

O casal Leandro Alves e Jéssica Souza, de 24 e 22 anos, vindo de Campinas, saiu de casa às 3h30 do domingo para pegar o último dia da exposição. E ainda deu tempo para aproveitar um dia de passeio na capital – eles compraram o ingresso no MIS, foram ao Instituto Butantã, voltaram, e ainda pretendiam passar no bairro da Liberdade.

O professor de educação física Fabrício Monteiro levou a namorada e a filha para o passeio no último dia de férias, e enfrentou, pela dupla, as seis horas da fila enorme da madrugada. “Sozinho eu não ficava, não”, brincou ele. Quem deixava a exposição trazia no rosto um misto de cansaço, alívio e bom humor. O casal Ronaldo dos Santos, de 26, e Juliana Nascimento, de 22, saiu às 4h de Interlagos para garantir um lugar na fila. “Valeu a pena. A exposição é muito bem montada, e o Castelo traz lembranças da infância. É muito bom”, sorriu o rapaz.

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