Jeenah Moon/The New York Times
Jeenah Moon/The New York Times

Última chamada: MoMA vai fechar para reforma de quatro meses

Museu em Nova York eliminará seis espaços na sua área oeste para conectar três andares de novas galerias com as já existentes e instalar uma mostra, a maior já vista, da sua enorme coleção permanente

Roberta Smith, The New York Times

10 de junho de 2019 | 03h00

O Museu de Arte Moderna, MoMA, deve fechar a partir de 15 de junho para concluir sua mais recente expansão – que na realidade tem por fim reformular a última realizada. Com o museu às vésperas de fechar, os críticos de arte e arquitetura do The New York Times aproveitaram a ocasião para revisitar as obras de arte favoritas (ou famosas), rever as exposições ainda não encerradas e avaliar as implicações da reforma – a perda do Museu de Arte Folclórica Americana, que antes ficava ao lado, mas hoje faz parte da nova área ocupada pelo museu.

Nos próximos quatro meses o museu eliminará seis espaços na sua área oeste para conectar três andares de novas galerias com as já existentes e instalar uma mostra, a maior já vista, da sua enorme coleção permanente, que os curadores vinham planejando há anos.

Quando o museu for reaberto em 21 de outubro, depois de uma reforma de US$ 450 milhões, ele será mais confortável fisicamente, permitindo um melhor fluxo de pessoas, oferecendo um acesso livre para o andar térreo e suas novas galerias, e adicionando cerca de 3.700 m² de espaço para a coleção permanente. Mas o mais importante é que o andar dedicado ao modernismo como conhecemos, linear e dominado por gênios europeus, será radicalmente revisado, expandido e mais inclusivo.

Em preparação para o fechamento, o MoMA já desmontou as galerias com coleções permanentes no quarto andar e reconfigurou ligeiramente as do quinto, de uma maneira que dá ideia das mudanças a serem feitas. Avaliar o que permanece à vista para tentar fazer um prognóstico é também um momento para refletir sobre o passado, o presente e o futuro do museu e, principalmente, sobre todas as mudanças por que passa.

Mesmo antes de entrar nas galerias do quinto andar, havia sinais grandes e pequenos a serem considerados. Em meados de abril, a menos de dois meses do fechamento, o MoMA teve problemas para instalar a obra-prima de Jennifer Bartlett de 1975-1976, Rhapsody, no átrio. O pesadelo para um preparador na forma de 987 azulejos de aço de 32,4 centímetros cada um que se encaixam nas longas paredes desse amplo espaço, essa batalha de mentalidade e estilos artísticos abrange a severa abstração geométrica, o realismo convencional e tudo de permeio. Parece cada vez mais premonitório e em certos aspectos exemplifica o pluralismo que o MoMA precisa aspirar na sua próxima vida.

Um pequeno indício das possibilidades pode ser encontrado perto do elevador no quinto andar, onde o quadro Abraham Lincoln, the Great Emancipator, Pardons a Sentry, de Horace Pipppin, o grande pintor autodidata afro-americano, está exposto ao lado de Christina’s World, do pintor realista branco Andrew Wyeth e uma das pinturas mais populares do museu. O que seria um bom augúrio para uma maior visibilidade e conferir um mesmo status de artistas folclóricos e autodidatas, cujos trabalhos tiveram um grande papel nos primeiros anos do MoMA. Está na hora também de acabar com a marginalização da arte americana de antes da 2.ª Guerra. Ela devia estar combinada com a arte da Europa e além.

A coleção, como está agora instalada nas galerias do quinto andar como se fosse provisória, bastante truncada, que começa com os sucessos do pós-impressionismo e do cubismo e Matisse e acaba com a bandeira de 1958 de Jaspers Johns, e se torna mais inclusiva em termos de artistas não brancos e não masculinos à medida que avança. É um retrato de uma coleção em evolução, ao mesmo tempo repleta de possibilidades e um pouco abandonada.

Em alguns lugares você verá o MoMA tentando fazer pender sua visão linear da história na direção da justiça e da realidade dessa visão mais complexa. Mas alguma coisa deverá fazer.

Você também sentirá o peso, o controle e o freio da história modernista, se perguntando o que vai desaparecer e o que vai permanecer. Starry Night, de Van Gogh, por exemplo, retomará seu lugar proeminente na galeria que abriga a coleção, diz o museu. Mas também haverá uma grande galeria devotada inteiramente às pinturas mais radicais de Matisse, dos anos 1910? Ou aos fundadores do cubismo, que no MoMA é formado 90% de obras de Picasso? E o que dizer dos quadros de nenúfares de Monet? Talvez. De qualquer modo acho que conseguiremos viver sem algumas dessas imersões nas obras de gênios.

Na coleção permanente do MoMA é sempre revelador checar o lapso de tempo entre a época em que uma obra foi realizada e quando o museu a adquiriu. Por exemplo, aquelas pessoas preocupadas que o MoMA desprezou um pouco o cubismo deveriam ver a pequena composição de George Braque The Table (Still Life with Fan) de 1910. O quadro integrou a coleção em 2008, mostrando que o MoMA ainda cultiva sua obsessão central. Esta obra é uma introdução perfeita ao cubismo analítico. É possível imaginar que no futuro menos de 10 obras cubistas estarão expostas e este pequeno Braque deve permanecer entre elas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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