Tudo é possível na reunião dos cariocas Los Hermanos

Grupo faz o primeiro show hoje desde o 'recesso' de 2007

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

Just a Fest estranho com gente esquisita. Um band leader que diz que "rock sucks", mas esse "cabeça de rádio" faz o quê?: "I?m a creep, I?m a weirdoooo." Outros que tocam seus pioneiros "pim póins oincs" fantasiados de robôs. Fizeram o mesmo, mas sensacional show em duas ocasiões no Brasil. Pra ver e/ou rever sem se cansar esses veteranos, sempre modernos. E abrindo o festival de "esquisitices", os caras estranhos do Los Hermanos, com aquele ar blasé e o bom balanço entre dois barcos (samba, rock) e outras mumunhas mais, sob as barbas seventies.Falemos desses cariocas que deram um tempo na carreira em conjunto e voltam agora só para o festival. Provavelmente vão tocar hits, mas podem também fazer só lados B, vai saber. Tudo é possível. Parece que não se encontraram para produzir nada novo em parceria - como antecipou Rodrigo Amarante em entrevista recente, para falar de seu bem-sucedido projeto Little Joy, ao lado de Fabrizio Moretti (dos Strokes) e da cantora Binki Shapiro.É curioso você ler a crítica conterrânea deles exaltando certos pioneirismos da banda: "Foram os caras que botaram guitarra no samba", coisas do gênero. Mas, então, quem não nasceu ontem sabe que já fizeram isso antes Jorge Ben, Mutantes, Novos Baianos, Fellini, Paralamas, etc. É claro que eles formataram a música à sua maneira, com inegáveis qualidades, embora dissimulem eventuais referências, com frases do tipo "cada um que ache o que quiser".Enquanto Amarante foi à forra em grandes festas na Orquestra Imperial e obteve outros prazeres na ensolarada Califórnia, Marcelo Camelo montou seu bloco do eu sozinho para destilar melancolia no arrastado Sou/Nós, embora com direito a "janta" folk com Mallu Magalhães. De Bruno Medina e Rodrigo Barba pouco se ouviu falar depois que o grupo entrou em "recesso" em 2007.O registro do ruidoso show "de despedida" na Fundição Progresso, no Rio, em 2006, saiu em CD e DVD. Não acrescenta nada à discografia fundamental da banda, composta pelos três álbuns "do meio" - o segundo Bloco do Eu Sozinho (2001), Ventura (2003) e 4 (2005) -, marcos da década, depois da renegada Anna Júlia inicial.A histeria em torno daquele show na Fundição serve, sim, para demarcar a natureza xiita do comportamento de seu público. A mesma ansiedade deve estar rondando os corações neste dias em que o tempo deixa o verão para trás. Para sorte dos que vão ver Radiohead e Kraftwerk, eles tocam antes. Assim, a gente não tem de passar pela mesma inconveniência de quando o Lambchop abriu para eles no TIM Festival. Desinteressados e mal-educados, os palradores fãs cariocas da banda não (se) deram a mínima chance de ouvir a bela música do grupo de Kurt Wagner. Pra que, né? Nem tocava em novela...Era mesmo preciso que Los Hermanos (se) dessem um tempo, botando fim naquele carnaval, para não ver reeditar uma certa "beatlemania", justamente quando eles vinham na contramão disso tudo, criando as mais belas e intimistas canções, em 4. O que fizeram até agora foi bem-feito. Você sabia que... ...o festival se chama Just a Fest porque o Radiohead não aceita fazer concertos que levem nome de marcas de cerveja, cigarros e outros? ...entre as exigências do Radiohead para o show no Brasil, estão uma sala de meditação e outra para massagem? Para comer, bananas, maçãs, laranjas, gengibre fresco, uvas, pêssegos e por aí vai? ...a banda traz o próprio chef de cozinha? "Estamos indo a Brasil, Argentina e Chile. Esperamos anos por isto", disse esta semana Ed O?Brien, fã de Benjor e João Gilberto?

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