Tropa de choque

No começo, eles eram meros apresentadores. Hoje, a comissão de frente é parte do show - com números de dança, teatro e acrobacia

, O Estadao de S.Paulo

12 de fevereiro de 2009 | 00h00

Cartão de visita das escolas, a comissão de frente foi instituída como quesito de julgamento em 1938. Sua função, na época, era saudar o público e apresentar o desfile que viria a seguir. Hoje, há uma responsabilidade adicional: surpreender. A partir da década de 90, em vez dos figurões das escolas, bailarinos e acrobatas passaram a ser primeiros a entrar na avenida.O coreógrafo Carlinhos de Jesus foi um dos precursores desta tendência. "Ele desencadeou uma revolução no desfile de 1998 da Mangueira, que homenageava Chico Buarque", lembra a sambista Leci Brandão. Naquele ano, a Estação Primeira apresentou uma trupe de bailarinos com roupas e gestos inspirados na Ópera do Malandro, o célebre musical de Chico. "A diretoria queria que a comissão estivesse mais relacionada ao samba-enredo", diz Carlinhos. Em 1999, ano em que a escola celebrou os 100 anos do samba, o coreógrafo se superou. Cada dançarino interpretou um compositor ou intérprete famoso. A ideia era que figuras como Donga, Candeia e Noel Rosa ?reencarnassem? na Sapucaí. "Quando eles chegaram, quase não aguentei ", lembra Lygia Santos, filha de Donga. "O Carlinhos sugeriu que pedisse bênção ao meu pai - e eu o fiz."Comissão: nota 10Hoje, as escolas designam um profissional para cuidar só dos abre-alas. Em geral, um coreógrafo. Em um ano, ele terá muito trabalho além da dança:Responsabilidade "É a comissão que dita a cadência do desfile", como explica Márcia Janete, da Acadêmicos do Tucuruvi. PlanejamentoA coreografia deve considerar o tamanho do sambódromo, o tempo do desfile e o número de componentes. "Neste ano, temos 31 minutos e 10 segundos para cruzar a avenida", diz Márcia.Preparação Em 1999, com os ?bambas do samba?, Carlinhos de Jesus passou meses treinando individualmente os bailarinos para que assumissem os trejeitos de cada personagem. Sensibilidade Nem sempre é necessário utilizar artistas profissionais. "Procuramos pessoas da comunidade com disposição para atuar e dançar", diz Júlio César Teixeira, da Rosas de Ouro.

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