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Tribunal francês condena ex-eletricista de Picasso a devolver obras aos herdeiros

Pierre Le Guennec e sua mulher ficaram com cerca de 300 trabalhos do pintor durante 40 anos

Matthias Galanye, Matthias Galanye, Reuters

20 Março 2015 | 14h21

França - Cerca de 300 obras de Pablo Picasso terão de ser devolvidas à família do artista, decidiu nesta sexta-feira, 20, um tribunal francês, rejeitando o depoimento de um ex-empregado dele, segundo o qual a última mulher do pintor lhe deu as obras de presente há mais de 50 anos.

Pierre Le Guennec, de 75 anos, um eletricista aposentado, e sua mulher, Danielle, de 71, receberam pena de dois anos de prisão - posteriormente suspensa - por manipulação de bens roubados. Eles também foram condenados a entregar as 271 obras, de valor estimado entre 60 e 120 milhões de euros (US$ 64 a US$ 128 milhões) aos herdeiros de Picasso, que morreu em 1973.

Le Guennec, empregado por Picasso em sua última casa, em Mougins, no sudeste da França, disse ao tribunal em Grasse que Jacqueline Picasso lhe ofereceu a caixa que contém colagens não assinadas, desenhos e pinturas, com o consentimento de seu marido em 1971 ou 1972.

"Uma noite, a senhora me chamou no corredor, quando eu estava saindo, e me disse: 'Isto é para você'", disse ele no depoimento.

A caixa ficou alojada na garagem de Le Guennec por quase 40 anos, até o casal levá-la a Paris para ser avaliada, em 2010. Após a revelação da existência das obras, herdeiros de Picasso entraram em contato com as autoridades, que abriram uma investigação.

Um dos filhos de Picasso, Claude Ruiz Picasso, disse estar satisfeito com a decisão e declarou que a coleção, que se acredita tenha sido criada entre 1900 e 1932, inclui trabalhos importantes que poderiam agora ser exibidos.

"Ele teve uma grande cara de pau ao tentar nos fazer engolir essa história", disse Maya Picasso, uma das filhas do artista, a repórteres.

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