Três obras preciosas de Paulo Moura

Instrumentista, que se apresenta hoje no Bourbon, tem primeiros trabalhos relançados

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

25 de setembro de 2007 | 00h00

Três álbuns especialíssimos do clarinetista e saxofonista Paulo Moura, que há algum tempo se encontravam fora de catálogo, estão sendo relançados. Trata-se de Hepteto, de 1968, Quarteto, de 1969, e Fibra, de 1971, certamente as obras mais significativas do início da carreira do músico de 75 anos, que se apresenta hoje no Bourbon Street. Eles integram a Coleção Galeria, da gravadora Atração, que pretende oferecer ao público CDs em forma de obra de arte. As capas dos novos álbuns trazem os desenhos originais emoldurados, como se fizessem parte de uma exposição artística. Enquanto cada contracapa estampa parte de uma gravura de Gilvan Samico. Após o lançamento dos três álbuns de Paulo Moura, seis compilações de Eumir Deodato também serão lançadas - os nove títulos formarão, com todas as contracapas juntas, a obra completa de Samico.''''É sempre bom ser lembrado. Fiquei muito feliz com esse projeto'''', diz Moura. Dos três álbuns, confessa ter um carinho especial por Hepteto. ''''Tem cinco músicas de Milton Nascimento, um dos compositores que mais admiro, que àquela época estava no início de sua carreira. A minha preferida é Das Tardes Mais Sós.'''' As outras quatro são Travessia (com Fernando Brant), A Sede do Peixe (Para o Que não Tem Solução) Nem Precisou Mais um Sol (com Marcio Borges), Três Pontas e Outubro.Em Fibra e Quarteto, Milton Nascimento também marca forte presença. Dele, Paulo Moura gravou, no primeiro, Tema dos Deuses, Vera Cruz e Cravo e Canela, e no segundo, Terra. Temas clássicos brasileiros, como Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e Lamento do Morro, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que também aparecem respectivamente em cada álbum. ''''Engraçado é que encontrei com Milton poucas vezes, sempre mediado por Wagner Tiso'''', relembra.O instrumentista, que apresentou o álbum Dois Panos para Manga, de 2006, no início do mês, ao lado de João Donato na Mostra Internacional de Música em Olinda (Mimo), vai mostrar hoje, no Bourbon, clássicos do jazz, da música brasileira, e uma releitura sobre o seu próprio álbum Paulo Moura Interpreta Radamés Gnattali, de 1959. ''''Vou tocar algumas que o Gnattali escreveu pra mim, praticamente inéditas, como Valsa Triste, Carioca 59 e Romance, que pretendo gravar em breve'''', conta. O pianista David Feldman e o baixista André Rodrigues acompanham o mestre. A apresentação integra o programa Sala do Professor Buchanan''''s, promovido e transmitido ao vivo pela Rádio Eldorado FM.

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