Três homens gentis mostram suas afinidades

Bruno Morais, Rodrigo Campos e Romulo Fróes, representantes da melhor safra musical da cidade de 2009, fazem show juntos amanhã no Auditório Ibirapuera

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

O paranaense Bruno Morais, o paulista do interior Rodrigo Campos e o paulistano Romulo Fróes têm algo mais em comum além de uma certa melancolia na forma de compor canções, da influência do samba tradicional e da admiração por Nelson Cavaquinho (1911-1986). Eles figuram entre os mais criativos autores da nova safra que produz música em São Paulo. Com os respectivos álbuns lançados este ano, confirmam talentos promissores e agora unem forças num significativo encontro amanhã, no palco do Auditório Ibirapuera.

No show Seu Olhar Gentil, extraído de uma canção de Campos, eles vão apresentar seus trabalhos-solo e também afinidades. A ligação entre os blocos de cada um é feita por reinterpretações em trios de sambas de autores clássicos: Nelson Cavaquinho (Quero Sorrir), Ataulfo Alves (Na Cadência do Samba), Batatinha (Imitação) e Manacéa (Sempre Teu Amor).

Dos três, Fróes é o que tem mais experiência, com três álbuns gravados, sendo o mais recente o surpreendente No Chão Sem Chão (2009), duplo. Morais também lançou este ano o segundo trabalho, A Vontade Superstar, em que, como Fróes, indica mudança de rumos sonoros. Campos, mais próximo do samba que também tem lugar no trabalho dos colegas. estreou com o sensacional São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe, um dos melhores discos do ano, talvez o mais brilhante.

Fróes e Morais já são mais próximos um dos outro, têm inclusive um samba em parceria, Hoje Eu Vou te Acordar, gravado por Morais no novo CD. Campos tem em comum com Fróes o fato de ambos terem sidos gravados no mesmo álbum de Mariana Aydar. "Já conhecia o Romulo de tanto ouvir as pessoas falarem. Bruno veio um pouco depois", diz Campos, o "calouro" do trio, como diz Fróes.

"Os sambas que escolhemos para fazer a ligação entre os mini-shows são todos pra baixo, não no sentido depressivo, mas de intenção. Que é o que todos nós temos, ninguém faz um som pra fora, é de intenção delicada, rebaixada", diz Fróes. "Mesmo Bruno, que é o cantor de plantão, canta contidamente. Acho que temos mesmo essa melancolia do Nelson Cavaquinho."

Morais concorda com ele em termos de busca de afinidades. "Cada um muito no seu universo, a gente tem uma abordagem parecida, tem um miolo ali, que é a melancolia, mas também tem uma gentileza, uma delicadeza, que é natural nos três trabalhos e que a gente não precisou procurar muito. Em cinco minutos escolhemos as músicas que iríamos cantar."

Cada um admira o trabalho do outro por bons motivos. Campos, atualmente passando por uma desilusão amorosa, tem ouvido muito Hino dos Corações Partidos F.C., de Morais, e gosta do verso "pra começar vai acabar", de Nada Disso É pra Você Querer, de Fróes. Este, por sua vez, se sente tocado "de um jeito forte" pelo universo muito específico de São Mateus na música de Campos. "Do mesmo jeito que as canções do Bruno me tocam, por questões filosóficas." O olhar original e cinematográfico de Campos sobre o bairro paulistano levou Morais a sentir "muito dentro da cena".

Falando pelos três, Fróes afirma que nenhum deles sozinho teria força para sustentar um show num lugar grande como o Auditório Ibirapuera. "Mas juntos, o bolo cresce, a coisa ganha força, mas só que tem que ter uma liga pra dar certo." Isso eles provam que têm.

Serviço

Bruno Morais, Rodrigo Campos e Romulo Fróes. Auditório Ibirapuera (800 lug.). Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 2 do Parque do Ibirapuera. Amanhã, 19 horas. R$ 15 e R$ 30

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