Trechos

VIDAS SECAS:Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.Arrastaram-se para lá, devagar, sinha Vitória como o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.- Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. A BAGACEIRA:- Chá... Tchá... Chá... Tchá. Era um pássaro madrugador que anunciava a antemanhã, primeiro que o galo-de-campina, que toda a orquestração das matinas. Um xexéu desgracioso, cor das barreiras enferrujadas, a que os escravos davam caça (..), nos dias de folga, porque (...) lhes marcava, pontualmente, o início das tarefas diárias. O feitor, como ainda chamam a esse arauto importuno, pegava no estribilho temporão, tirando do sono a cabroeira extenuada, como contratado pelo senhor rural. (...) Não era um canto: era um grito. E, de longe, soava, imperativamente: já... já... jajá... - E por que não of?rece café? - replicavam os trabalhadores jejunos. Assim que o xexéu entrou a gritar, Manuel Broca berrou no terreiro dos sertanejos: - É hora, cambada! Levanta pra pegar! Pirunga respondeu do engenho, onde pernoitava. E lá se foram os dois, de enxadas, não ao ombro, (...) mas sobraçadas, como quem leva a vara de ferrão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.