Trechos

"(...) Ela se calava por um ou dois minutos mas, daí a pouco, começava de novo a brincar e a sussurrar. Mas, quando lhe pediam para ler algo, ela mudava imediatamente e às vezes chegava a empalidecer." Foi essa atitude que Nathán Áltman retratou numa tela famosa de 1914, em que a mostra com um longo vestido de seda azul, envolta num xale amarelo, os traços angulosos do rosto realçados pela atmosfera quase cubista da tela. (...) O retrato foi descrito por Púnin como a "imagem idealizada da própria poesia moderna..."Mesmo tendo recebido, com a prisão de Ivínskaia, sinais claros de que não era muito seguro o terreno em que pisava, Pasternák não interrompeu a redação de Dr. Jivago (...). Dez dos poemas que aparecem no fim do romance já tinham sido publicados, em 1954, no jornal Znâmia. Pasternák já lera o manuscrito para alguns amigos, e Akhmátova dissera a Tchukôvskaia: "Acho o romance tão ruim que alguns trechos devem ter sido escritos por Ivínskaia." Mas acrescentara que havia nele belíssimas descrições de paisagem: "Sinceramente, não há nada que se iguale, em toda a literatura russa."No Quartier Latin, Anna sentiu a efervescência de uma cidade para a qual vinham escritores, poetas, pintores do mundo inteiro. Ali ela conheceu Amedeo Modigliani, que lhe revelou "a verdadeira Paris" e, mais tarde, desempenharia papel importante em sua vida. Eles continuaram a se corresponder por muito tempo. Ficou claro para ele o significado que, para ambos, tiveram aqueles dias passados na capital francesa e, em suas notas autobiográficas, ela diz: "Tudo o que nos acontecera até aquele momento não passara da pré-história das nossas vidas. O espírito da arte ainda não transformara aqueles dois seres."

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