Trecho - seda

Para ser mais preciso: Hervé Joncour comprava e vendia bichos-da-seda quando a essência dos bichos-da-seda consistia em serem eles minúsculos ovos, de cor amarela ou cinza, imóveis e aparentemente mortos. A palma de uma mão podia conter milhares deles. "Isso é o que se chama ter uma fortuna na mão." No início de maio os ovos se abriam e liberavam uma larva que, depois de trinta dias de sôfrega alimentação à base de folhas de amoreira, fechava-se de novo num casulo, para dali sair de maneira definitiva duas semanas mais tarde, deixando atrás de si um patrimônio que em seda fazia mil metros de fio cru e em dinheiro uma bela soma em francos franceses: admitindo-se que tudo corresse conforme as regras e, como no caso de Hervé Joncour, numa região qualquer do sul da França. Lavilledieu era o nome da cidade onde Hervé Joncour vivia. Hélène, o nome da mulher dele. Não tinham filhos.

Entrevista com

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.