Trecho

Para Mira, artista intelectual, amiga de filósofos como Vilém Flusser e Hermann Schmitz, arte visual é visual. Se não se sustenta como tal e necessita de uma bula teórica, é porque é ruim. Não por outra razão, o escultor José Resende, amigo que a acompanhou até o leito de morte, no hospital Oswaldo Cruz, pede desculpas no livro de Sônia Salzstein e diz que não quer "contaminar com palavras a estratégia do efêmero que seu trabalho consegue tão brilhantemente reportar". De qualquer modo, as grandes questões da fenomenologia de Schmitz, que pouco tem a ver com a de Sartre e Heidegger, foram também as grandes questões de Mira. O conceito de corporeidade, de ausência e de individuação no caótico atravessam toda a obra de Mira, de sua primeira exposição, em 1950, ao último trabalho exibido em vida, a série Sarrafos, de 1987. (Texto de 1996)

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