Trecho

A felicidade dissolve-se nas lembranças e é forçoso inventá-la. Pergunto-me que pedaço da vida, sorvido no colo familiar, merece hoje construção verbal? Acaso as narrativas da mãe, à hora do almoço, fazendo-me crer que eram minhas e que, ao ouvi-las, elas podiam me salvar? Acaso pretendia a mãe, com seus relatos, prover-me com indícios da existência, para eu confessar no futuro, diante do tribunal da vida, o que fiz e deixei de fazer? Fosse responsável pelas lacunas que, conquanto me condenem, absolvem-me também? Mas que desculpa convinha apresentar diante deste tribunal para justificar as vezes que errei?

Entrevista com

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.