Trecho

A ideia de que o amor não basta é particularmente dolorosa. Face a face com sua verdade, a humanidade vem tentando há séculos descobrir em si mesma provas de que o amor representa a maior força que existe no mundo.Jesus é um exemplo tristemente ilustrativo dessa luta desigual. Jamais, em nível algum, o amor humano foi capaz de satisfazer ao inocente coração de Jesus. Ele exigia isso, como observou Nietzsche, com dureza, com loucura, e teve de inventar o inferno como punição para aqueles que não lhe concediam seu amor. Por fim, criou um deus que era "todo amor" para perdoar a impossibilidade e a negação do amor humano.Jesus, que tanto ansiava por amor, era obviamente um louco e, quando confrontado com a ausência de amor, não teve outra opção senão buscar a própria morte. Em sua percepção de que o amor não era suficiente, em sua resignação à necessidade de sacrificar a própria vida para possibilitar o futuro dos que o cercavam, Jesus foi o primeiro - mas não o último - exemplo histórico de um homem-bomba suicida."Não sou um homem, sou dinamite", escreveu Nietzsche. Tratava-se da imagem de um sonhador. Agora, todo dia, em algum lugar, alguém é dinamite. Eles não são uma imagem. São os mortos ambulantes, como também o são as pessoas ao redor deles.

Entrevista com

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