Travessia por sete clássicos de Milton

Parceria com os músicos franceses Lionel e Stéphane Belmondo rende CD

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

Milton Nascimento & Belmondo é o primeiro disco do compositor mineiro em que ele não deu nenhum palpite. Conjunto de bonitas releituras de sete de seus clássicos pelos franceses Lionel (sax e flauta) e Stéphane Belmondo (trompete), ele foi todo arranjado pelos dois irmãos, instrumentistas de jazz saudados pela crítica internacional como grandes estrelas da música instrumental contemporânea. Ouça trecho de Ponta de AreiaEles escolheram Ponta de Areira, Canção do Sal, Milagre dos Peixes, Travessia, Morro Velho, Nada Será Como Antes e Saudade dos Aviões da PanAir, canções compostas por Milton e parceiros (Fernando Brant, Márcio Borges e Ronaldo Bastos) nos anos 60 e 70, as quais ele agora revisita com prazer."Foi bonito o que eles fizeram, demonstraram respeito... Para eles, Ponta de Areia (que abre e fecha o disco, sendo a primeira faixa só instrumental) é uma música irmã dos clássicos. Gostei tudo logo de cara", diz Milton, que se encantou com o trabalho dos Belmondos ao ouvir disco que eles gravaram com um coral da Lituânia composto só por vozes graves. Depois veio o convite para o projeto conjunto e a conversa definitiva, num hotel em Paris, em que o mineiro, que tanto desperta o interesse de artistas estrangeiros, misturou francês e inglês. "Eles gostam de trabalhar como eu: quando vejo algo diferente, quero entrar."A parceria começou com shows na França no ano passado, com a participação da Orchestre National d?Ile-de-France, sob a regência do maestro Christophe Mangou. Logo no primeiro concerto, na Cité de La Musique, em Paris, ele se emocionou com a reverência feita por Lionel ao comentar o fato de o brasileiro ter tocado sua sanfoninha de oito baixos, presente da madrinha quando ele era criança. Milton chorou. Não só neste, mas em vários outros momentos poéticos que viveu com os franceses, com quem espera se apresentar para o público brasileiro. "O entrosamento foi total e com muita emoção", conta, lembrando o corre-corre que foi entremear os shows com os Belmondos e com o Jobim Trio, para divulgação de Novas Bossas, seu último disco lançado no Brasil. "Tive que me desdobrar em dois shows completamente diferentes."Milton Nascimento & Belmondo saiu na França e em outros países europeus em 2007; por aqui, chega pela Biscoito Fino. Milton não o vê como um disco de jazz. "É um disco de tudo. Tem coisa brasileira, a sinfônica, o jazz, tudo misturado, como eu gosto", diz o ex-crooner, que no início da carreira, "quando não havia preconceito quanto a isso ou aquilo", passeava pelo gênero nos "bailes da vida". Além das regravações, o CD tem Berceuse, música de Ravel que aparece com Malilia, de Lionel Belmondo, e Oração, de Cristophe Dal Sasso, com vocalises de Milton.

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