Museé d'Orsay/Facebook
Museé d'Orsay/Facebook

'Tragam seus filhos para ver gente nua', diz campanha para atrair pessoas a museus na França

Comunicação do Museu d’Orsay e o Museu da Orangerie, em Paris, é voltada para famílias

O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2017 | 10h46

Uma campanha para atrair famílias para museus na França será retomada neste mês. Um dos cartazes da campanha diz "Tragam seus filhos para ver gente nua", com a frase colocada sobre a pintura Femme Nue Couchée (Mulher Nua Deitada) de Auguste Renoir. A comunicação é do Museu d’Orsay e o Museu da Orangerie, em Paris. As informações são da RFI, rádio pública francesa.

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A campanha francesa retorna coincidentemente num momento em que o debate tomou conta das redes sociais no Brasil, e chegou até ao Ministério Público. No fim de setembro, a participação de uma criança em uma performance protagonizada por um homem nu deu início a nova polêmica sobre a liberdade artística. O teor dos comentários é o mesmo daqueles que levaram ao cancelamento da exposição Queermuseu, alvo de protesto ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) em Porto Alegre.

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Segundo a RFI, não houve nenhum tipo de reação negativa à campanha na França. Amélie Hardivillier, coordenadora da comunicação dos museus, disse à rádio que o objetivo era se colocar no lugar das crianças quando elas vão aos museus e entender suas reações às obras - para ela, é preciso relacionar trabalhos históricos a assuntos atuais.

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Nenhuma das obras dos dois museus tem censura de idade, nem mesmo L’Origine du Monde (A Origem do Mundo, Gustave Courbet, 1866). Ela ressalta, porém, que o debate sobre a obra continua. "Essa é também a função da arte: incomodar, questionar", disse, segundo a reportagem da rádio publicada pelo portal G1.

Hardivillier também expressou preocupação com a situação no Brasil, quando questionada. “Sei que São Paulo é palco de belas exposições. É muito grave essa situação. Fico triste com essa notícia”, lamentou.

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O galerista e curador brasileiro Ricardo Fernandes, radicado em Paris, acredita que a reação proibitiva em relação às obras de arte é resultado da falta de investimento em educação no Brasil, assunto para ele muito mais urgente. “As pessoas precisam ter acesso à escola, aprender a interpretar e a questionar, conhecer bases culturais e históricas. A educação tem o poder de transformar uma sociedade”, disse, ainda segundo a RFI.

“Foi isso que possibilitou a se desenvolver uma visão em relação à arte muito mais ampla (na França). Ir a uma galeria ou a uma exposição é um programa cultural comum, onde os museus são também locais de reunião e de encontro”, concluiu.

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