Tom Stoppard e a aula de como escrever bem

Palestra de dramaturgo britânico foi outro destaque do fim de semana

Ubiratan Brasil, PARATY, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2008 | 00h00

O final de semana da Flip foi carregado de surpresas, da palestra de Tom Stoppard, que traçou em linhas gerais o ato de escrever bem, até a ameaça de prisão de um sósia de Machado de Assis, que estaria dificultando a circulação de pessoas ao posar de estátua em local público. Principal convidado deste ano, Stoppard dividiu, na noite de sábado, com um inspirado Luis Fernando Verissimo, uma conversa que, embora resvalasse momentaneamente em um certo pedantismo, traçou bem delineada explicação sobre o mistério da escrita.Para Stoppard, escrever bem é um ato que pode ser traduzido de duas formas. Em uma, há a manipulação de palavras que resulta em um pensamento poderoso; em outra, a adequada colocação das expressões pode garantir a um chavão um efeito único. ''Nós, escritores, sabemos como uma frase é feita e, mesmo que nem sempre ela saia tão boa, nela não há mistério nenhum para nós.''O dramaturgo esteve presente em boa parte das palestras, acompanhando atentamente da platéia. Uma das que mais lhe chamaram a atenção foi a que reuniu o jornalista inglês Misha Glenny e o brasileiro Guilherme Fiúza, na tarde de sexta. O tema era a globalização do crime e, como os dois autores estavam afinados na opinião, os aplausos eram recorrentes.''A extorsão virtual é cada vez maior e o pior crime organizado atualmente é feito pela internet'', observou Glenny, que propôs ainda uma consciente legalização das drogas. ''Vamos começar liberando a maconha por cinco anos e veremos se a civilização ocidental vai ruir'', disse ele, aplaudido.Já o bom humor foi garantido pelo radialista e humorista americano David Sedaris, na última mesa de sexta-feira. Mediada por um antenado Matthew Shirts, que não continha o riso escancarado, Sedaris disparou diversas frases divertidas, bem ao estilo americano. ''Fiquei impressionado com os bonecos que vi na praça pública (feitos pelas crianças de Paraty para enfeitar a cidade). Eles são ótimos, parecem o rosto de alguém que fez plásticas muito ruins.'' A primeira impressão que teve do Brasil também foi marcante: ''Em nenhum lugar vi uma área de recolhimento de bagagens tão alucinado como o do aeroporto de Cumbica.''

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