Tom Cruise reforça a fama de bom moço

Nos papéis de produtor e de pai de família, o ator passou quatro dias no Rio [br]de Janeiro enfatizando os ideais do longa que veio lançar, Operação Valquíria

Entrevista com

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2009 | 00h00

Tom Cruise comprovou que é um astro de cinema de Hollywood à moda antiga. Nos quatro dias que passou no Rio de Janeiro, onde lançou na terça o filme que estrela e produz, Operação Valquíria, o galã não evitou que seus passos e os da família (a mulher Katie Holmes e a filha Suri) fossem registrados - da praia à churrascaria, do shopping ao passeio de helicóptero, todos momentos de bom-mocismo foram devidamente documentados.Na pré-estreia do filme, na noite de terça, Cruise atendeu pacientemente os cerca de 300 fãs que se aglomeraram à porta do cine Odeon. Ele chegou ao tapete vermelho pouco depois das 20 horas, acompanhado da mulher. Posou para fotos, distribuiu autógrafos e entrou no cinema. Minutos depois, retornou sozinho e continuou a conversar com o público, distribuindo beijos e mais autógrafos. Encerrada a programação, Cruise e família rumaram para o México, onde deve encerrar a turnê de lançamento do filme, que já incluiu Rússia, Inglaterra, Itália, Japão e Coreia.A simpatia é inerente ao ator, que agora parece orientar sua carreira pelo caminho que une a fórmula do blockbuster com ingredientes familiares. A primeira é coerente com sua vitoriosa trajetória, marcada por diversos arrasa-quarteirões. A segunda condiz com a imagem de pai de família, que ele tanto divulga por onde aparece.Como também é produtor, Cruise reforça em cada país que visita o sucesso crescente de Operação Valquíria. O filme, de fato, começa a reagir nas bilheterias americanas, mas é no exterior que a arrecadação vem mais substanciosa. "Tenho recebido ótimas notícias", disse o ator, em entrevista coletiva, terça-feira, evento que reuniu no Copacabana Palace mais de cem jornalistas, alguns infelizmente mais interessados em engrossar o álbum particular de fotos que trabalhar.Já a face paterna, Cruise reforçou ao comparar o papel que interpreta em Operação Valquíria com outros. Ele lembrou de A Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg, no qual vive rapaz que, por conta da ameaça de destruição da Terra, descobre-se um pai de verdade. Já no filme recente, ocorreu o contrário. "Interpreto um pai que vive distanciado dos filhos por obrigação, para que eles não descubram seu envolvimento na conspiração contra o nazismo."No longa, Cruise vive o coronel Claus von Stauffenberg, que liderou um plano para assassinar Adolf Hitler, em 1944, o que acabaria com a 2ª Guerra Mundial. Com o fracasso da conspiração, ele e outros revoltosos foram condenados à morte. "Como todos, eu sempre odiei os nazistas; por isso, não posso esconder que foi uma satisfação pessoal tentar matar o Hitler, mesmo que não tenha dado certo", comentou o ator.A cena que mais o impactou, aliás, foi a do fuzilamento de Stauffenberg. Segundo ele, toda a equipe de filmagem compartilhou da mesma emoção. A relação com o grupo, aliás, foi também lembrada quando Cruise tentou responder à questão do Estado sobre os problemas enfrentados pela produção para filmar na Alemanha - como naquele país a religião do ator, a cientologia, não é reconhecida como tal e sim como uma seita, houve uma resistência inicial. "Mas logo tudo foi resolvido. Tanto que parte da equipe, que é alemã, sempre se desculpava comigo pelo ocorrido."Cruise lembrou que sua vida sempre foi acompanhada de perto ("vivo como em um microscópio"), o que resulta em informações superdimensionadas, especialmente quando divulgadas pela internet. Ele garantiu que, embora produtor, prioriza sua carreira de ator. A julgar pelos seus passos no Rio, um trabalha em função do outro. O repórter viajou a convite da Fox do Brasil

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