Todos os caminhos da grande arte de Walter Carvalho

Homem cultivado, grande diretor de fotografia, Walter Carvalho imprimiu sua marca ao cinema brasileiro da Retomada - período que começa com Carlota Joaquina, em 1995. Seu método consiste em trabalhar a cor de um jeito que o equipara aos mestres do preto-e-branco, na época áurea do Cinema Novo (Dib Lutfi, Waldemar Lima, Ricardo Aronovich, etc.)Você pode ver hoje o documentário Moacir Arte Bruta, no Canal Brasil, às 22 horas, que serve para uma reflexão sobre a atividade de Walter Carvalho como fotógrafo e diretor de cinema. Ele co-dirigiu Cazuza com Sandra Werneck e conclui atualmente outro filme sobre o qual há grande expectativa, Budapeste, adaptado de Chico Buarque.Walter Carvalho é capaz de trabalhar a imagem com grande beleza e sofisticação - veja-se a Cleópatra, de Júlio Bressane, em cartaz nos cinemas -, mas o que o atrai é o interior, não o exterior. Moacir trata desse artista primitivo (e esquizofrênico) que habita a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Walter Carvalho de alguma forma fez seu Imagens do Inconsciente, bebendo na fonte de Leon Hirszman (e da dra. Nize Silveira). Sua fotografia crua serve ao personagem e mostra que o diretor e fotógrafo não busca o brilho fácil.

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