''Todos ganham com a profissionalização da moda''

Um dos ícones da Fashion Rio, Lenny Niemeyer diz que uma mesma cabeça cuidando das semanas paulista e carioca pode ser uma coisa boa para todos

Doris Bicudo, O Estadao de S.Paulo

08 de junho de 2009 | 00h00

O Fashion Rio começou no fim de semana sob nova direção - a de Paulo Borges, o mesmo organizador da São Paulo Fashion Week. Em tempos de Sadia-Perdigão, os dois eventos, antes rivais, serão administrados pela mesma estrutura.Quem ganha com isso? Quem perde? Para falar sobre isto, ninguém melhor que a dona da marca ícone do Fashion Rio e ela própria um símbolo da cidade: Lenny Niemeyer. Afinal, ninguém é mais a cara do Rio do que essa estilista santista, dona da marca Lenny e sócia de 17 franquias pelo Brasil. "Todos ganharão se o caminho, como acredito, for o de ampliar a profissionalização da moda", pondera.Nessa direção, Borges já começou trocando o evento de lugar. Sai da Marina da Glória para o Cais do Porto. Lenny recebe a ideia com simpatia: "Uma novidade, vamos experimentar". O número de grifes foi enxugado - ficaram 29, além de 12 novos talentos. O tempo para mudança foi curto para todos, inclusive para Borges, que teve pouco mais de um mês para imprimir sua marca. E os tops da mídia da área já marcam presença - Vogue, Harper?s Bazaar, L?Officiel e CNN, entre outros. Famosa por ser uma das grandes festeiras da cidade, Lenny não fará este ano sua tradicional festa gigante, marco da semana do Fashion Rio. Optou por algo mais intimista e reservado. Como concilia festas com trabalho? Ela confessa ser uma pessoa diurna e regrada. Afinal, não há business que resista sem a mão do dono. "Mas, como adoro estar com meus amigos, me transformo em duas", explica.Sobre seu desfile de amanhã, nem uma palavra: prefere o segredo.Houve mudança de gerência do Fashion Rio: entrou um gerente paulista. O que você achou? É uma novidade positiva. Tudo que venha a profissionalizar a moda do Rio tende a ser bom. Agora, sempre houve disputa entre Rio e São Paulo e ambos os desfiles vão ser organizados pela mesma pessoa. Acredito que o intuito continuará sendo o de fazer uma semana de moda ensolarada, com a cara do verão. Para isto, não há melhor lugar do que a Cidade Maravilhosa. Se a nova gestão souber escolher, dividir e organizar bem as marcas, tanto a temporada paulista de desfiles como a carioca serão perfeitas. O Rio abrigará este ano três eventos de moda. Acha isso produtivo? Para a minha marca, acredito que o Fashion Rio tem maior importância. É o desfile que vai definir meu verão, em termos de retorno de vendas. É quando eu mostro a coleção para meus franqueados, meus clientes de multimarcas, a imprensa nacional e a estrangeira. Esta apresentação vai determinar o meu volume de vendas para o resto do ano. Você participa também do Oi Fashion Rocks. Está preparando algo especial para ele? O evento não chega a ser um desfile: é um show de moda com música. Uma coisa totalmente nova e superinteressante, já que vai ser televisionado para 120 países. Entrarei com uma edição baseada nos últimos dez anos do meu trabalho, mas que não será definida por mim. E o Rio Summer Fashion? Para esse evento estou planejando criar uma terceira coleção: um mix do alto verão com prévia do inverno. A primeira edição do Rio Summer, no ano passado, trouxe vários compradores de fora. Foi bom para mim.Fundos de investimento estão comprando marcas no setor. A ideia de parceria é interessante para você? Só faria uma parceria desse tipo se pudesse continuar à frente do meu negócio. Minha preocupação é dupla porque há ainda um outro fator: a minha marca leva meu nome, que eu prezo muito. Vejo, no meu trabalho, duas frentes: uma que me dá satisfação pessoal e outra que me traz retorno financeiro. Não há como me limitar a trabalhar só por dinheiro. Quem gosta do trabalho como eu gosto do meu tem de avaliar uma parceria levando em conta esses dois prismas. Não há como se desvencilhar dos próprios conceitos, tão difíceis de serem estabelecidos. Como todo casamento, a parceria pode ser saudável desde que escolhamos o marido certo. Mas não é difícil criar e ser empresária ao mesmo tempo? Muito, pelos menos para mim. Mas depois de passar grandes dificuldades e trombadas financeiras, passei a entender que, se você não sabe executar alguma coisa, o mínimo que se tem a fazer é ter critério para delegar e escolher a pessoa certa. Gosto de criar, inventar, mas tenho que ter uma estrutura que coloque de pé os meus sonhos, uma estrutura que me diga se eles são viáveis financeira e comercialmente. Acho que, depois de 20 anos, cheguei ao ponto de equilíbrio. Qual foi o impacto da crise na moda praia? Por enquanto, não sentimos nada muito relevante, a não ser no setor de exportação. Quem investiu muito nessa área está tendo dificuldades. Eu, por sorte, decidi não sacrificar minha marca no mercado nacional em detrimento de exportações, na época em que o internacional estava aquecido por causa do câmbio favorável. Se, por exemplo, uma Victoria''s Secret ou uma grande rede quer comprar quantidade grande para colocar a etiqueta deles, temos que resistir e dizer: não! O que é difícil, porque numa determinada época do ano é tentador. Nós temos que nos conscientizar de que não somos simples fabricantes: o Brasil é criador de moda praia. E isto tem, sim, um valor agregado.Biquíni combina com as passarelas de São Paulo? Apesar de São Paulo ter mais recursos, foi o evento do Rio que acreditou e apostou na moda praia. No meu caso é uma questão de fidelidade: minha marca nasceu aqui e a organização local sempre me deu todo o apoio de que precisei. Já montei passarela no meio da areia, coloquei coqueiro na boca de cena. Existe todo um clima de verão que não dá para imaginar na capital paulista.Direto da fonteSonia RacyColaboraçãoDoris Bicudo doris.bicudo@grupoestado.com.brGabriel Manzano Filho gabriel.manzanofilho@grupoestado.com.brPedro Venceslau pedro.venceslau@grupoestado.com.brMarília Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.brProduçãoElaine Friedenreich

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