Todas as caras de um mesmo país

Na Pinacoteca, o Brasil é revelado nas fotografias de franceses e de brasileiros

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2009 | 00h00

A Pinacoteca do Estado deu a largada do Ano da França no Brasil com a abertura, no início do mês, da exposição Fernand Léger: Amizades e Relações Brasileiras, que em cinco salas climatizadas do museu apresenta obras do pintor francês e sua ligação com o Brasil - em especial, com o modernismo - e com artistas nacionais, como Tarsila do Amaral, Cícero Dias, Maria Martins e Lygia Clark. Mas agora, no sábado, a Pinacoteca inaugura, a partir das 11 horas, outra exposição como parte da programação oficial do evento: À Procura de Um Olhar: Fotógrafos Franceses e Brasileiros Revelam o Brasil, que reúne 184 imagens feitas entre 1937 e 2008. Mais uma vez o museu abriga uma exposição que promove o diálogo entre a produção artística dos dois países dentro do tema da programação.À Procura de Um Olhar, com curadoria de Diógenes Moura, é um projeto que promoveu a vinda de fotógrafos franceses ao Brasil (Antoine D?Agata, Bruno Barbey e Olívia Gay) para aqui realizarem obras especialmente para esta exposição. Mas ao mesmo tempo, também, não deixou de reunir conjuntos preciosos de raiz histórica (obras de Pierre Verger, Marcel Gautherot e Jean Manzon), fazendo, assim, um encontro entre a produção mais antiga e a contemporânea de nove fotógrafos da França e do Brasil (incluindo ainda uma série de 10 obras feitas em São Paulo pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss na década de 1930). E curioso é que nessa exposição, tal como na do MAM (página anterior), a questão do tempo se faz diluída, evidenciando o frescor do que foi feito antes e do que foi criado agora."Não é uma mostra de olhares cruzados, porque acho que isso não funciona. É uma exposição de possibilidade de encontros entre as obras dos fotógrafos feitas em São Paulo, Rio, Salvador, Recife, São Luiz e Belém", diz Diógenes Moura, da Pinacoteca. O curador completa que o mote principal é colocar luz sobre "uma postura afetiva" traduzida em fotografias. "É uma exposição de sinônimos, porque as pessoas são as mesmas, não importa a época", diz Moura, numa maneira de fazer a clara referência de que todos os que aparecem nas fotografias são brasileiros e que os lugares são o Brasil simplesmente.A exposição, que ocupa cinco salas do museu, abre-se com as obras em preto e branco dos históricos Pierre Verger (1902- 1995), Marcel Gautherot (1910- 1996) e Jean Manzon (1915- 1990). Todos os três têm a origem francesa, mas viveram no Brasil por longa data - Verger chegou ao País em 1946 e aqui ficou até sua morte; Gautherot veio fotografar a Amazônia em 1939 e um ano depois resolveu se fixar definitivamente no Rio; Manzon desembarcou na capital carioca em 1940 e ficou décadas, realizando trabalhos de importância jornalística. Sendo assim, as imagens produzidas por eles não são as do olhar curioso do estrangeiro, mas de natural vivência no País. São sempre belos os retratos do povo e do culto dos orixás feitos por Verger. Gautherot está representado com a surpreendente série Alumiação, de 1941, sobre a religiosidade. E Manzon comparece com suas fotos do cotidiano em tom de reportagem. Todos esses trabalhos dialogam com a "poética da cor" de Luiz Braga, com as imagens sobre a solidão e a metrópole de Mauro Restiffe, com as panorâmicas de Tiago Santana. Na abertura, será também lançado o livro Pierre Verger - Fotografias para Não Esquecer (Terra Virgem), com texto de Moura. Dez craquesOS FRANCESES:Pierre VergerMarcel GautherotJean ManzonOlívia GayBruno BarbeyAntoine D?AgataClaude Lévi-StraussOS BRASILEIROS:Luiz BragaMauro RestiffeTiago SantanaServiçoÀ Procura de um Olhar. Pinacoteca do Estado. Pça. da Luz, 2, Luz, 3324-1000. 10h/ 18h (fecha 2ª). R$ 4 (sáb. grátis). Até 5/7. Abertura sábado, 11 horas, para convidados

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