Toda a euforia dos fãs à espera do grande show

Histórias de como o público se divertiu (ou não) aguardando por Madonna no primeiro dia da megaturnê em São Paulo

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2008 | 00h00

Eram quase 4 horas da tarde de ontem quando as filas iam, vinham e fechavam o cerco ao redor do Estádio do Morumbi. Trânsito caótico nos arredores, cocas-colas e cervejas esquentando sob um sol forte, que às vezes aparecia entre as muitas nuvens, bandanas, faixas, camisetas e até "chifrinhos da Madonna" à disposição. No meio desse tumulto, ela apareceu, exibindo seus passinhos no meio de uma rua que dava acesso ao estádio. Arrancou elogios e, muito requisitada, teve de atender aos muitos pedidos de fotos, autógrafos, beijos... Lemoine é o seu nome (verdadeiro, dado pelo pai francês e mãe recifense). "Dá um cartão pra ela", disse para o seu amigo e aparentemente produtor/empresário, no alto de seu salto Fernando Pires.Vidrada na cantora desde o lançamento do hit La Isla Bonita, ela passou a se dedicar à diva tanto, mais tanto mesmo, que hoje tem certeza de que é a cover mais Madonna que existe no mundo. "Tenho um material com 48 produções. Sou a cover com maior acervo de shows dela", assegurou. Vestida com o mesmo modelito preto que Madonna usa na abertura do show, quando canta Candy Shop, Lemoine se preparava para fazer sua autopromoção. "Preciso circular pelas filas, porque daqui a pouco vou me trocar, pôr um jeans e tênis. Com esse salto não dá para curtir o show?" A intérprete de Madonna há 20 anos vai de pista vip nos três shows, convidada por seus patrocinadores.NA FILAAlessandro Tavares, de 29 anos, e Bruno Borges, de 18, vieram do Amapá só para ver Madonna. Chegaram na quarta, hospedaram-se no hotel Columbia e se dirigiram para o Morumbi às 12 horas. Conheceram no caminho outras pessoas vindas, coincidentemente, do Norte e Nordeste e se divertiam na fila. Para passar o tempo, além de correrem atrás de Lemoine para tirar fotos, compraram todas as lembrancinhas possíveis à venda no trajeto para o show, incluindo utensílios para o bem-estar, como duas cadeirinhas portáteis a R$ 10 e um colchonete. "Vamos deixar tudo do lado de fora do estádio quando entrarmos", disse Alessandro.O momento que a dupla mais ansiava no show era quando Madonna começasse a entoar os versos de Vogue. "É o hino gay!", divertiam-se. Os amigos estão em São Paulo pela segunda vez - a primeira foi para assistir à apresentação de Pet Shop Boys, no TIM Festival de 2004. A próxima viagem que já começam a planejar de volta à capital paulista é para um show ainda não confirmado de Britney Spears. "Pode anotar, nós estaremos aqui!"O baiano João Miranda, de 22 anos, que Alessandro e Bruno conheceram na fila, está animado com a primeira apresentação de Madonna em São Paulo. Mas ainda mais com o Hopi Hari, que pretende conhecer. "Imagina andar naquela montanha-russa! Isso sim é que vai ser emoção", confessou em meio à desaprovação dos amigos recém-feitos.NO HOTELÀs 9 horas da manhã de ontem, na frente do hotel Grand Hyatt, onde Madonna se hospeda, tudo estava tranqüilo. Mais de 15 policiais militares, duas viaturas da CET e cerca de 10 seguranças particulares estavam à disposição para garantir a segurança de... uns 10 repórteres e outros 10 fotógrafos. Fãs afoitos, até então, eram inexistentes. "O policiamento será feito 24 horas, de forma ininterrupta, até Madonna deixar São Paulo", garantiu o tenente Atiê, da Polícia Militar. SEM NOÇÃOEm uma volta pelo quarteirão, na Avenida Chucri Zaidan, dois jovens desavisados, um deles com camiseta estampando uma enorme Madonna dourada, foram encontrados. "Madonna vai se hospedar aqui? Nós somos de Belo Horizonte e estávamos só indo ver a Ponte Estaiada", disse Gustavo Oliveira da Assunção, de 30 anos. Projetista na área de telecomunicações, ele conseguiu uma folga, mas hoje já embarca de volta a Minas Gerais. Seu amigo, o bancário Sérgio de Lima, de 31 anos, também estava de folga do trabalho, o que vai possibilitar esticar a vinda para visitar a família que mora em Jundiaí.Gustavo e Sérgio fizeram a festa da imprensa plantada no local. Decidiram ficar um pouquinho mais por ali, mais pela farra do que pelos 15 minutos de fama: a qualquer sinal de uma loira saindo de dentro dos carros que estacionavam em frente do hotel Hyatt lançavam-se eufóricos, em coro, ?Madoooonnaaaa!?, sem restrição de idade, peso ou altura. Cansados, decidiram voltar ao hotel, tomar um banho e se preparar para o show.TRÂNSITOSe por volta das 16 horas o trânsito estava complicado, duas horas depois (e cerca de 40 minutos após os portões terem sido abertos) a chegada do público era tranqüila assim como o fluxo de carros e ônibus pela região. O baiano João Miranda, na capital paulista pela primeira vez, desabafou sobre a dificuldade que teve de chegar ao estádio. "Peguei metrô, ônibus, um trem, outro ônibus e caminhei mais uns 20 minutos até chegar aqui! O acesso é péssimo." Mas a ansiedade de ver a diva pop prevaleceu e ele logo esqueceu os maus bocados.Às 17h40, quando os portões foram abertos, alguns poucos fãs sortudos, os primeiros da fila e com melhor condicionamento físico, conseguiram assistir a uma parte da passagem de som, com Madonna no palco. Por menos de 10 minutos, eles se deleitaram ao som de Into the Groove. Pontualmente, às 20 horas, o DJ Paul Oakenfold subiu ao palco e injetou batidas eletrônicas, levantando um estádio ocupado em 90% de sua capacidade, à espera de Madonna.

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