Ilustração do livro 'The Art of Tim Burton'
Ilustração do livro 'The Art of Tim Burton'

Tim Burton: Exposição imersiva na Oca revela o mundo do cineasta

'A Beleza Sombria dos Monstros – 13 anos da Arte de Tim Burton' estará em cartaz a partir deste domingo, 8, até 14 de agosto, mostrando parte de sua obra

Luiz Carlos Merten, Especial para o Estadão

08 de maio de 2022 | 05h00

Quem se encantou com a mega exposição que o MIS/Museu da Imagem e do Som dedicou a Alfred Hitchcock, anos atrás, terá endereço certo a partir deste domingo, 8: até 14 de agosto, a Oca, no Parque Ibirapuera, estará sediando outro megaevento, A Beleza Sombria dos Monstros – 13 anos da Arte de Tim Burton. A mega exposição interativa com 2.600 m² ocupará dois andares da Oca. 

Imagine que você encontrou um livro de memórias e desenhos, habitado por seres muito especiais. Indo um pouco mais adiante, imagine que é possível entrar nas páginas, na cabeça do próprio autor e imergir nas paisagens desse universo único. Pronto! Você acaba de descobrir o conceito da exposição dedicada a Burton, que ainda ontem fazia últimos ajustes.

Na verdade, ele iniciou sua obra autoral há 35 anos, em 1985, com As Grandes Aventuras de Pee-Wee. Três anos mais tarde surgiu Beetlejuice/Os Fantasmas Se Divertem, mas Tim Burton só se tornou um grande nome a partir de Batman, a versão com Michael Keaton, de 1989. Logo em seguida, veio o filme que talvez seja sua obra-prima: Edward Mãos de Tesoura, de 1990, em que Johnny Depp, em sua primeira parceria com o diretor, interpreta não apenas o mais belo de seus monstros, mas também o mais doce. 

Edward, com suas mãos de tesoura – porque seu inventor não teve tempo de acabá-lo –, pode criar beleza, arquitetando os mais belos jardins, mas não pode acariciar a mulher que ama. É o seu tormento. Mas, então, se estamos falando de filmes que datam de 30 anos atrás, ou mais, por que a exposição celebra somente 13 anos da criatividade do autor? Não é bem assim. Foi quando surgiu o livro A Arte de Tim Burton, cuja leitura sensorial estará agora no evento da Oca. Nós, o público, somos convidados a ingressar nas 464 páginas que compõem os 13 capítulos da obra. 

“É a mais abrangente antologia realizada sobre a obra do artista”, ressalta a curadora Jenny Hee, no material de divulgação. “À medida que o público adentra as imersivas e interativas experiências presentes nas diferentes galerias da exposição, a ilimitada criatividade e a prolífica produção do diretor se revelam mais intimamente.” 

Animações

Tim Burton chegou ao cinema pela via da animação, e fez filmes que são animações quadro a quadro, como A Noiva Cadáver. Ninguém – jamais – poderá negar sua capacidade visual, a inesgotável fonte que lhe permite criar imagens que permanecem com o espectador. Será um regalo viajar por essas imagens, interligar-se com elas por meio da tecnologia digital. 

Burton fez pelo menos mais uma obra-prima, de novo com Johnny Depp, na pele de Ed Wood, considerado o pior diretor do mundo. Ed Wood criou os próprios monstros, fazia filmes mal-acabados, mas acreditava tanto neles que Burton colocou-o em pé de igualdade, num diálogo que nunca ocorreu, com o talvez maior diretor do mundo, Orson Welles. Foram tantos seres monstruosos – ou simplesmente criaturas delicadas, fora do padrão – que Tim Burton criou que sua obra é um permanente convite a nos defrontarmos com o diferente, com o outro. Nada mais contracorrente nessa era da cultura de ódio.

Já faz algum tempo que os filmes não são mais tão bons, como se a direção de arte assumisse o controle do trabalho. Mas festas para os olhos, os filmes de Tim Burton nunca deixarão de ser, como prova agora a exposição na Oca.

 

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