The Road vê o mundo após o fim da civilização

Duas sombrias produções norte-americanas deram o tom (cinza) ao festival nas sessões de ontem. Life During Wartime, de Todd Solondz, e The Road, de John Hillcoat, voltam-se para o lado escuro da vida. Mas o fazem com abordagens e estilos diferentes, diga-se. E ajuntam certa doçura ao caos amargo, acrescente-se.

Luiz Zanin Oricchio, VENEZA, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

The Road (A Estrada) é um filme apocalíptico, imagina o mundo após um cataclismo que destrói a civilização. Os homens estão entregues a si mesmos e cuidam apenas da sobrevivência mais elementar. Voltam ao estado de natureza, quando então o homem mostra ser o lobo do homem, segundo a frase famosa de Thomas Hobbes. A história é baseada num romance de Cormac McCarthy (de Os Fracos não Têm Vez) que, como se sabe, não tem uma visão das melhores a respeito da chamada natureza humana. Filmado em tons escuros, A Estrada mostra um pai (Viggo Mortensen) e um filho em busca da salvação. Parece que a produção enfrentou problemas de distribuição em seu país por causa do pessimismo. Mas o desfecho é um pequeno raio de sol, um daqueles que os produtores pediam a Fellini de modo a não espantar o público.

Se o público quer ser enganado ou não é matéria para debate. De qualquer forma, A Estrada é filme que faz poucas concessões ao prazer do espectador. Nem por isso funciona direito o tempo todo, e se desgasta muito usando truques de horror B quando poderia se concentrar no aprofundamento da questão central - o que é feito da solidariedade em situação de anomia e o fino verniz da civilização foi raspado?

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