Tela de Remedios Varo é recorde da temporada

Tela de Remedios Varo é recorde da temporada

Obra da artista espanhola, 'Hacia la Torre' atinge US$ 4,3 milhões nas vendas de artes latino-americanas

Tonica Chagas, Especial para O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2014 | 02h05

NOVA YORK - Vendido pela Sotheby's por US$ 4,3 milhões em leilão na noite de segunda-feira, Hacia la Torre, quadro da espanhola Remedios Varo (1908-1963) pegou o preço mais alto nos leilões de arte latino-americana realizados esta semana em Nova York.

Depois de Raízes (1943), da mexicana Frida Kahlo, vendido por US$ 5,6 milhões na mesma Sotheby's, em maio de 2006, a tela em óleo sobre massonite pintada em 1960 no México, onde Remedios viveu, marca o segundo maior valor já pago por obra de uma mulher latino-americana. Disputado ferozmente por três compradores, o valor ultrapassou em mais de US$ 1 milhão a estimativa que lhe era dada, entre US$ 2,5 milhões e US$ 3,5 milhões.

Também ficou acima da expectativa o preço pago por The Temptation of St. Anthony, óleo sobre tela de Leonora Carrington (1917-2011) pintado em 1945. A Sotheby's o vendeu por US$ 2,6 milhões, estabelecendo novo recorde para obra da artista nascida na Inglaterra e que, como Remedios Varo, passou a vida e fez sua carreira no México.

Os dois quadros pertenceram à coleção do empresário mexicano Lorenzo Zambrano, presidente da fábrica de cimento Cemex, que morreu em maio deste ano. Parte dessa coleção compôs sessão especial na abertura do leilão na Sotheby's, totalizou US$ 17,6 milhões em vendas e marcou recordes de preço em venda pública para trabalhos de Remedios Varo, Leonora Carrington, Rodolfo Nieto, Rodolfo Morales, Julio Galán, Ángel Zárraga, Carlos Mérida, Ana Mercedes Hoyos, Armando Morales, Jorge González Camarena, Juan Soriano e Roberto Montenegro.

Na sessão de vendas feita pela Christie's, o par de esculturas Adam and Eve obteve novo recorde de preço em leilão para obra do colombiano Fernando Botero. A obra em bronze, executada em 1990, foi adquirida por US$ 2,573 milhões.

Na Phillips, quem marcou recorde foram os brasileiros da dupla osgemeos e Jac Leirner. Um trabalho sem título conectando homens e animais numa metáfora da cadeia da vida, feito pelos grafiteiros em 2011, foi adquirido por US$ 269 mil. Nomes, composição de sacos plásticos criada por Jac em 1989, alcançou US$ 221 mil.

A maioria dos 112 lotes oferecidos no leilão da Phillips era de obras de artistas brasileiros e o painel de 2001 Macau Wall (Blue), de Adriana Varejão, liderou os preços. Com estimativa idêntica ao óleo sobre tela Mujer India (1942), de Rufino Tamayo (1899-1991), o trabalho da brasileira também empatou com o do mexicano, vendido por US$ 845 mil (todos os valores incluem a comissão das casas de leilão).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.