Tela de Carreño lidera estimativas na Christie?s

Obra do pintor cubano pode chegar a US$ 2 milhões em NY

Tonica Chagas, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

Fuego en el Batey, quadro de 1943 do cubano Mario Carreño (1913-1999), lidera as estimativas de preço nos leilões de arte latino-americana que ocorrem, a partir de hoje, em Nova York: a Christie?s espera alcançar por ele entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões. A tela ilustra o desespero de uma mulher entregando o filho para salvá-lo de um incêndio e faz parte de um trio sobre temas da vida cubana que Carreño criou, com tinta para automóveis, no período de produção mais desejado pelo mercado. Embora os preços de obras de arte tenham passado por uma correção média em torno de 35% no primeiro trimestre, um ajuste diante da crise global, os leilões de arte impressionista, moderna e contemporânea realizados este mês em Nova York não foram tão medonhos como se previa. A expectativa na Sotheby?s e Christie?s é que isso se repita com a arte latino-americana, que encerra a temporada de primavera do maior evento internacional no calendário comercial artístico. Há razoável representação de arte brasileira nos cerca de 500 lotes à venda nas duas casas, com trabalhos de, entre outros, Mira Schendel e Ernesto Neto, que expõem na cidade. Fuego en el Batey concorre em valor com um autorretrato do mexicano Diego Rivera (1886-1957) também oferecido na Christie?s. Pintado em 1941, ele é conhecido como O Autorretrato Firestone por ter sido comissionado pelo engenheiro e colecionador americano Sigmund Firestone, que conheceu Rivera no México, em 1939, se tornou amigo dele e encomendou retratos tanto do pintor como da mulher dele, Frida Kahlo. Com o retrato vão 14 cartas trocadas entre os três, num lote estimado entre US$ 1,2 milhão e US$ 1,8 milhão. Com estimativa acima de um milhão de dólares há mais duas obras, ambas da inglesa Leonora Carrington, surrealista que fez carreira no México. Pintado em 1944, um ano depois do casamento com o fotógrafo húngaro Chiki Weiss, Chiki, ton Pays está avaliado entre US$ 1,2 milhão/US$ 1,6 milhão e vai à venda hoje na Sotheby?s. O recorde para um quadro de Leonora em leilão é Juggler, el Juglar, de 1954, vendido na Christie?s no ano passado por US$ 713 mil. Desta vez, a mesma casa oferece The Giantess, têmpera sobre madeira conhecida também como The Guardian of the Egg, que Leonora pintou por volta de 1947 e tem seu valor entre US$ 800 mil e US$ 1,2 milhão.Entre os 31 lotes com obras de artistas brasileiros, a avaliação mais alta é para o tristonho Menino Sentado, óleo sobre tela de Portinari (1903- 1962) de 1945, que a Christie?s vai vender por algo entre US$ 150 mil e US$ 200 mil. Os especialistas em arte latino-americana da Christie?s projetam bom preço também para Adriana Varejão, um dos nomes da arte contemporânea brasileira com maior destaque no mercado internacional. O óleo sobre tela Azulejaria de Cozinha com Peixes, de 1995, da série iniciada em 1993 sobre o canibalismo cultural brasileiro, é estimado entre US$ 120 mil e US$ 180 mil.Na Sotheby?s, há um quadro de Portinari semelhante ao que estava entre os quatro roubados da mansão da família Maksoud, em São Paulo, no início do mês, e encontrados dois dias depois. A previsão é de que O Cangaceiro (1956), em leilão hoje, alcance entre US$ 80 mil e US$ 100 mil. O leilão de arte latino-americana da Sotheby?s começa hoje à noite e prossegue amanhã. Na Christie?s, as vendas ocorrem amanhã e sexta.

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