Teatro Municipal carioca ainda é assunto polêmico

Secretária de Cultura, Adriana Rattes fala de obras, projetos, verbas e problemas

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2008 | 00h00

À frente da Secretaria de Cultura do Estado do Rio há pouco mais de um ano, Adriana Rattes fala com o mesmo entusiasmo da reforma do Teatro Municipal e da ocupação cultural de complexos de favelas. Pouco depois da posse, ela brincava dizendo que não era "secretária de cultura, mas de saneamento básico", por causa do caos financeiro com o qual se deparou. Com a casa parcialmente em ordem, ela agora dá algumas "boas notícias, como o lançamento de dez editais para seleção pública de projetos nas áreas de audiovisual, artes visuais, cultura popular, dança, teatro e blocos de carnaval, no total de R$ 7,6 milhões.Outra é o início das obras na Casa França-Brasil, que será reaberta em 2009. Uma medida também já estruturada é a modificação da lei do ICMS, de incentivo à cultura, que tratará de estimular a produção no interior fluminense. A secretária anunciou também recursos da ordem de R$ 50 milhões para a recuperação do Municipal, que vai reabrir em julho de 2009. É justamente no Municipal que a secretária encontra resistências, isso por conta de sua proposta de transformá-lo em organização social (OS), mantida pelo Estado, mas administrada em parceria com o setor privado, como em São Paulo.Os corpos artísticos (coro, balé, orquestra, cerca de 300 pessoas) do Municipal rechaçaram a idéia. "Com a OS, os novos membros não terão estabilidade e issso afetará a qualidade", reclama Pedro Olivero, representante do coro. Adriana não polemiza e diz que esse tipo de discussão se dá por falta de informação. Ela prefere falar das melhorias dos sete teatros estaduais, finalmente descupinizados, e que ganharão novo sistema de luz e som. Adriana Rattes instituiu também tolerância zero para a falta de prestação de contas de projetos financiados com dinheiro público (o déficit era de R$ 75 milhões e caiu para R$ 12 milhões) e sonha com o aumento no orçamento, este ano de R$ 100 milhões, sendo R$ 40 milhões somente ao Municipal. "Cultura não é supérfluo. A meta é construir uma secretaria que seja relevante."

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