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Tarsila do Amaral ganha primeiro memorial em sua cidade natal

Espaço fixo em Capivari, no interior de São Paulo, terá fotos e documentos sobre a vida da artista, bem como releituras de seus quadros mais conhecidos

O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2018 | 11h45

SOROCABA – A certidão de nascimento da artista e releituras de seus quadros mais famosos fazem parte do acervo dedicado à pintora Tarsila do Amaral, em memorial que foi inaugurado na quinta-feira, 22, em Capivari, interior de São Paulo — sua terra natal.

Entre as mais de 100 peças, estarão expostos documentos e fotos sobre as várias fases da vida de Tarsila e um livro com dedicatória da artista. A homenageada nasceu em 1886 num casarão da Fazenda São Bernardo, atualmente pertencente ao município de Rafard, e morreu em São Paulo, em 1973.

De acordo com o secretário municipal de Cultura, Alexandre Della Piazza, a cidade de 53,2 mil habitantes resgata uma dívida com a memória da filha famosa. “Esse memorial será a primeira lembrança física de Tarsila na cidade. Ela sempre foi lembrada em mostras e exposições, mas não havia nada permanente que possibilitasse a pesquisa sobre sua vida e obra.”

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A galeria está instalada no prédio da antiga estação da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), construído há exatos 100 anos, com projeto de Cândido Mota Filho.

Parte do acervo foi produzida por estudantes e artistas da região, que se debruçaram sobre a obra de Tarsila e produziram interessantes releituras, como do quadro Abaporu, fiel ao original, mas em preto e branco. Muitos desses trabalhos foram produzidos para a mostra dos 130 anos da artista, apresentada em 2016.

O casarão em que Tarsila nasceu está preservado, na cidade vizinha. A artista morou até os nove anos na fazenda que pertencia a Capivari, antes da emancipação de Rafard. Ela saiu de casa para estudar em São Paulo e, depois, na Europa.

Tarsila foi uma das figuras centrais do movimento modernista no país, que rompeu com os padrões acadêmicos vigentes à época.

Sua obra mais famosa, o Abaporu, produzida em 1928, foi um presente de aniversário ao escritor Oswald de Andrade, com quem se casou. A obra tornou-se representativa do movimento antropofágico, caracterizado pela valorização da arte nacional e eliminação da influência europeia.

Além do Abaporu, tela brasileira mais valorizada no mercado mundial das artes, destacam-se entre suas obras Antropofagia, A Lua, O Lago, Cartão Postal, Operários e A Negra.

O memorial vai funcionar de segunda a quarta-feira, das 13 às 22 horas, e quinta e sexta, das 8 às 17, com entrada gratuita.

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