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Tarsila do Amaral é a 'inventora da arte moderna brasileira', diz chefe do MoMA

O museu nova-iorquino ainda precisou vender um quadro de sua coleção, para conseguir comprar uma das obras da artista, conta a chefe Ann Temkin

Tonica Chagas, Especial para O Estado

23 de outubro de 2019 | 08h00

A Lua, óleo sobre tela de 1928, é a única pintura de Tarsila do Amaral (1886-1973) no acervo permanente de uma instituição pública nos Estados Unidos. O quadro foi adquirido pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), em fevereiro deste ano, por US$ 20 milhões, até hoje o maior valor pago por obra de um artista brasileiro. Além dele, o museu tem apenas um desenho de Tarsila, Estudo de Composição (Figura só) III, de 1930. À época da aquisição, a chefe do Departamento de Pintura e Escultura do MoMA, Ann Temkin, saudou Tarsila como “a inventora da arte moderna brasileira”.

A qualificação também deu título à primeira exposição da artista exibida nos EUA, Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil, organizada por Stephanie D’Alessandro, ex-curadora de arte moderna internacional do Art Institute of Chicago, e Luis Pérez-Oramas, ex-curador de arte latino-americana do MoMA. Concentrada na produção de Tarsila na década de 1920, a mostra foi exibida em Chicago no final de 2017 e pelo MoMA no primeiro semestre do ano passado.

Ann diz que graças àquela exposição descobriu Tarsila e decidiu priorizar a compra de uma obra dela. A Lua foi pedida em empréstimo, mas não pôde ser incluída na individual exibida no MoMA. Após o encerramento da exposição, os proprietários contataram o museu dizendo que a pintura estava agora disponível em São Paulo, não apenas para empréstimo, mas para compra.

Para adquiri-la, o MoMA vendeu um quadro de Fernand Léger que lhe foi doado pela milionária americana Joan Tish. Com o valor recebido, informa Ann Temkin, o MoMA comprou A Lua e outras obras de pioneiras modernistas.

A Lua foi exibida em público pela primeira vez em Paris, onde a brasileira morava no mesmo ano em que pintou o quadro. Identificado também pelo título em inglês, The Moon, como ocorre com grande parte das obras do acervo, ele é visto pela primeira vez no MoMA na galeria Paris 1920s ao lado de Three Women (1921-22), de Léger, com quem Tarsila estudou por algum tempo, e de frente para Three Musicians (1921), de Picasso, e o bronze Blond Negress II (1933), de Brancusi, com os quais ela se relacionou social e artisticamente, e de quem comprou obras para sua coleção pessoal.

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