Surpresa com a falta de autores no Prêmio Shell

Muitos foram os autores reconhecidos que tiveram textos inéditos em cartaz no primeiro semestre deste ano: Luiz Alberto de Abreu (Západ), Fernando Bonassi (O Incrível Menino na Fotografia), Newton Moreno (Západ, A Refeição e Vem Vai), Alcices Nogueira (A Javanesa), Mário Bortolotto (Uma Pilha de Pratos na Cozinha), Sérgio Roveri (Andaime), Cláudia Vasconcelos (Cata-dores). Daí o estranhamento causado pela não indicação, pelo júri do Prêmio Shell, de nomes na categoria autor. "Não quero questionar critérios, mas estranhei a decisão", diz Sérgio Roveri. "Na minha opinião haveria dificuldade de escolha porque foram muitos bons autores escrevendo. Nenhum indicado? Foi uma surpresa, não entendi. Na opinião deles não havia bons textos?" Kil Abreu, um dos cinco jurados, diz que foi consensual a avalição da ausência de textos que sobressaíssem. "Há um movimento de dramaturgia muito forte, mas nesse semestre, embora houvesse bons textos na média, nenhum brilhou." Fabio Namatame, outro jurado, argumenta de forma semelhante. "Os textos que você cita (listados acima) foram discutidos, todos, muito. Alguns, como A Javanesa, serão considerados no segundo semestre, porque estreou no fim do prazo de avaliação. Chegou-se ao consenso que, num critério rigoroso, não havia um texto brilhante." "O júri é soberano, não tenho críticas, tenho perguntas. Será que a cobrança não é muito maior do que nas outras categorias?", diz a dramaturga Paula Chagas. "Os textos são também lidos? Não é propósito de todo texto funcionar no papel, claro, mas essa sua dupla função é analisada? E a imensa produção de quem se inicia é vista?" Essa é também uma dúvida de Mário Bortolotto. "Nem todos do júri viram a minha peça. E quantas em cartaz não foram vistas por nenhum deles? Dá para dizer que nenhum se destacou?" É prática, na Lei de Fomento, a realização de um encontro entre jurados e premiados após a escolha. "Nenhum outro prêmio - APCA, Eletrobrás, Bravo! - tem essa prática", observa a jurada Marici Salomão. "Mas acho a transparência positiva. Não acho que a não indicação aponte ou identifique um problema. Foi circunstacial, aconteceu neste semestre."

O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2028 | 00h00

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