Stomp e africanas da Guiné balançam o Perc Pan no Rio

Grupo americano e as Amazones empolgam a platéia misturando coreografias e sons percussivos na primeira noite do evento

Lauro Lisboa Garcia, RIO, O Estadao de S.Paulo

17 de setembro de 2008 | 00h00

Para quem já viu o Stomp, quer dizer, uma das muitas companhias que carregam essa grife mundo afora, a apresentação dos americanos na 15ª edição do Perc Pan anteontem, não teve muita novidade. Mas para boa parte da platéia do Teatro Oi Casa Grande foi um show retumbante, em vários sentidos. Os números conhecidos estão lá: o início com o jogo de vassouras, o trio batucando caixinhas cheias de grãos, as três mulheres tirando sons dos objetos catados em saco de lixo, a coreografia com varas, inspirada em lutas de samurais, e o encerramento com as tampas e latas de lixo de metal.O baiano Marivaldo Santos é a figura central dessa formação do grupo. É ele quem tem o maior número de solos e interage com a platéia na repetição de palmas ritmadas. A sincronia de movimentos é um dos trunfos do show, quando os percussionistas/dançarinos interagem entre si, por isso uma falha mínima tira parte de sua graça, mas a ação é rápida o suficiente para não deixar o ritmo cair.Continua sendo interessante como eles tiram sons dos objetos mais banais do cotidiano, como copos de plástico, sacos de papel, tubos de borracha e os próprios corpos. É claro que eles também extraem humor dessas peripécias, dançam sapateado e tem entre eles até um personagem que se faz de desajeitado, mas cria suspense para suas atitudes conclusivas.Antes do Stomp, as mulheres do grupo africano Amazones (da Guiné) também levantaram a platéia misturando música de percussão e dança vigorosa, além do canto em coro. Vestidas com blusas brancas e saias cor-de-rosa, as percussionistas abriram o show com um tema um tanto tranqüilo, combinando canto delicado, xilofones, kalimbas, chocalhos e tambores, além de um interessante instrumento de cordas com uma grande caixa de ressonância, tocado verticalmente.Feita a introdução, elas saem de cena e voltam transfiguradas, em blusas e saias curtas de um dourado cintilante e estampa de pantera. Retomam a cena como que vestidas para um desafio, batendo forte os tambores numa espécie de mantra tribal, ritualístico, acompanhando seus cantos em dialeto natal. Parece um pouco batucada para turista, mas elas sabem como manter o interesse em jogos de cena simples, nas entradas e saídas do palco, na variação do instrumental, que quebram a monotonia das batidas repetitivas.O grupo carioca Os Ritmistas fez a primeira apresentação longa da noite - depois de um breve e bonito duo de Marcos Suzano e Alex Meirelles, que voltaram para as vinhetas entre um show e outro - com uma combinação bem equilibrada de percussão, guitarra, contrabaixo acústico e efeitos eletrônicos. Eles são melhores ao vivo do que no homônimo CD de estréia, tiveram bons momentos, mas o grande número de temas lentos (embora sejam bonitas baladas) e vocais em falsete, pareciam um tanto deslocados ali. Foi onda pequena para o tsunami das Amazones e do Stomp. O repórter viajou a convite da produção do festival

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