Sebastião Salgado/SP-Foto
Sebastião Salgado- Índias da tribo Zoe passando urucum para colorir o corpo, 2009 Sebastião Salgado/SP-Foto

SP-Foto 2019 abre com 33 galerias e 43 expositores

Maior feira de fotografia do Brasil traz imagens de fotógrafos como Helmut Newton e Sebastião Salgado, além de convidar curadores estrangeiros

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2019 | 03h00

Criada em 2007, a SP-Foto – Feira de Fotografia de São Paulo chega à 13.ª edição trazendo fotógrafos internacionais como o uruguaio Yamandu Canosa, que está na Bienal de Veneza de 2019 com a instalação La Casa Empatica, que trata de temas como território, identidade e miscigenação. Ao lado de Canosa estão outros grandes profissionais da fotografia, entre eles o alemão (naturalizado austríaco) Helmut Newton (1920-2004), nome associado à moda, e o brasileiro Sebastião Salgado, com imagens de um Brasil ameaçado de desaparecer – fotos das últimas tribos indígenas do País.

Pilotado pela empresária Fernanda Feitosa, a SP-Foto transformou-se nesses 13 anos numa plataforma de lançamento de jovens fotógrafos e atraiu um número significativo de colecionadores estrangeiros, além de curadores de museus que todo ano desembarcam em São Paulo para participar de um ciclo de palestras (chamado Talks). Na edição deste ano estão três curadoras que vão discutir desde a fotografia na era digital até a intersecção entre a fotografia e a arte contemporânea. São elas a futura curadora da Triennale do New Museu (em 2021), Margot Norton, que assina também a curadoria da primeira retrospectiva da artista britânica Sarah Lucas nos EUA, a especialista em fotografia Barbara Tannenbaum, que fez crescer em cinco vezes o acervo do Cleveland Museum, e a venezuelana Julieta González, diretora artística do Museo Jumex, que atuou na Tate.

São 33 galerias e 43 expositores e um número recorde de curadores estrangeiros convidados desta edição, entre eles Simon Baker, novo diretor, desde maio do ano passado, da Maison Européenne de la Photographie, e ex-curador de Fotografia da Tate Modern, além de professor de história da arte. Nomes como Baker não só projetam fotógrafos brasileiros lá fora como fazem crescer o acervo de fotografia do País em museus estrangeiros. Exemplo disso foram as recentes aquisições de fotógrafos modernos brasileiros, egressos do histórico Foto Cine Clube Bandeirante, pelo MoMA de Nova York (instituição que coleciona fotos de autores do País há 60 anos, com imagens recentes de Mauro Restiffe e Miguel Rio Branco no acervo, os dois na SP-Foto).

Fernanda Feitosa, criadora da feira, destaca a presença de jovens fotógrafos ao lado dos veteranos. É claro que um autorretrato da norte-americana Francesca Woodman (1958-1981), que se matou aos 22 anos, pode custar uma fortuna (algo entre US$ 7 mil e US$ 30 mil), mas há outros talentos à espera de serem descobertos. Fotógrafos brasileiros em ascensão deverão atrair o olhar do público na 13.ª edição da SP-Foto. Por exemplo, se existe um fotógrafo na trilha aberta pelo britânico Martin Parr, 62, que cruza a livre criação com a linguagem documental, é o jovem paulistano Júlio Bittencourt, 39, que viveu parte de sua vida em Nova York.

Martin Parr faz antropologia com humor inglês, satirizando o modo de vida da classe média que frequenta resorts populares e praias lotadas. Bittencourt, também oriundo do fotojornalismo, tratou da mesma paisagem de balneários, mas com olhar compassivo para a massa de deserdados do piscinão de Ramos (RJ). Há outra diferença entre os dois: uma foto da série The Last Resort (1982-86), de Martin Parr, custa uma pequena fortuna, algo em torno de R$ 40 mil. Os preços das fotos de Julio Bittencourt (da série Ramos) são mais modestos: entre R$ 15mil e R$ 17 mil.

Não se trata apenas de uma questão de ordem financeira, mas é certo que há uma disputa maior pelos veteranos em feiras de arte como a SP-Foto. Desse modo, é mais provável que fotógrafos modernos formados na época do Foto Cine Clube Bandeirante – digamos Thomas Farkas, Gaspar Gasparian ou German Lorca – atinjam uma cotação dez vezes superior a um fotógrafo contemporâneo da mesma estatura. Isso está mudando, em função de galerias que começam a incorporar em seu time fotógrafos consagrados, caso da Galeria Marcelo Guarnieri, representante de Claudia Jaguaribe e Cristiano Mascaro – a galeria já trabalhava com fotógrafos históricos, como Gautherot e Verger.

Nomes que marcaram a história são caros. Uma foto do carioca José Oiticica Filho (1906-1964), pai do artista neoconcreto Hélio Oiticica (1937-1980), custa, em média, R$ 30 mil. Já uma contemporânea como a paulistana Sonia Dias, representada pela mesma galeria, Renato Magalhães Gouvêa Jr., alcança um terço dessa cotação (R$ 9.500), mas suas chances de ser disputada como Oiticica no futuro são grandes. Com cerca de 13 anos de carreira, ela se destaca por seu olhar atento ao ambiente, ao homem e à presença da luz como elemento transformador de ambos.

Um fotógrafo estrangeiro em ascensão e com o mesmo tempo de carreira, o sul-africano David Ballam formou-se em 2004 e já está em grandes coleções desde que abandonou a fotografia comercial e dedicou-se ao registro da cultura de tribos africanas. Uma imagem de uma jovem de Turkana, na fronteira da Etiópia com o Quênia, feita no ano passado, está à venda na SP-Foto por R$ 15 mil. 

Documentarista, o fotógrafo e cineasta francês Jean Manzon (1915-1990), operou no mesmo registro, percorrendo o Brasil em busca de contato com tribos indígenas. Radicado no Brasil, ele fez reportagens para a extinta O Cruzeiro, sobrevoando aldeias nunca antes contatadas. De seu acervo com mais de 8 mil negativos estarão à mostra na galeria Almeida e Dale fotos desses primeiros contatos com índios. Contemporâneo de Manzon, o norte-americano Duane Michals, hoje com 87 anos, é o autor de um dos objetos mais cobiçados, o retrato de Magritte (tiragem de 30 exemplares) com um chapéu saído de uma de suas telas. Uma foto dele alcançou US$ 15 mil num leilão da Christie’s. Um pouco mais que um autorretrato de Francesca Woodman, a trágica e promissora fotógrafa, morta aos 22 anos.

Entrevista com Fernanda Feitosa, criadora e diretora da SP-Foto

Cresceu muito o interesse de museus estrangeiros pela fotografia brasileira?

Muito, especialmente depois de 2015, e um exemplo disso foi a aquisição pela curadora Sarah Meister de fotos dos modernistas para o MoMA de Nova York. 

Além dela, Tanya Barston, que foi curadora da Tate e agora está em Barcelona, também levou os modernos brasileiros para Londres. E os fotógrafos contemporâneos?

Há cinco anos Tanya descobriu o Gaspar Gasparian aqui na SP-Foto. Ela tem interesse pelos modernos do Foto Cine Clube Bandeirante, mas também pelos contemporâneos, como Mauro Restiffe.

O público brasileiro tem prestigiado a SP-Foto em todas as edições, mas fica a pergunta: quem compra?

Nunca fizemos uma pesquisa, mas 20% dos visitantes compram e outros 80% vêm para conhecer ou olhar. O número de colecionadores tem crescido e hoje temos até um Museu da Fotografia no Brasil, fundado por Sílvio Frota em Fortaleza.

SP-FOTO

JK Iguatemi

Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041, tel. 3152-6800. 

Abre 4ª (21), 17h/21h. 

5ª a sáb., 14h/21h; dom., 14h/20h. Até 25/8.




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SP-Foto 2019: Visitantes terão guias para conhecer as obras

Visitas guiadas ocorrem de meia em meia hora, são gratuitas e passeiam por temas como corpos, identidade e modernidade

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2019 | 03h00

Já é tradição e este ano as visitas guiadas da SP-Foto ocorrem novamente: nesta quarta-feira, 21, a partir das 17h, e de quinta a domingo de 16h em diante, a cada meia hora, monitores especialistas guiam grupos de visitantes por obras da feira. São quatro roteiros, elaborados por Paola Fabres, Isabella Lenzi e Gustavo Colombini.

“Breve História da Fotografia” vai não apenas traçar um panorama das transformações das técnicas mas também levantar questões sobre a presença da fotografia em museus, por exemplo. “Algumas galerias optaram por apresentações quase solo, então podemos aprofundar. As fotos de Jean Manzon, série de um registro no Alto Xingu, também contam uma história do Brasil”, explica a gestora cultural, curadora, editora e pesquisadora Isabella Lenzi, uma das monitoras das visitas.

O roteiro “Fotografia e Modernidade” passeia pelas primeiras décadas do século 20, relacionando a modernidade também com a construção das cidades. “Corpos e Identidades” apresenta fotógrafos que lidam com questões “do eu e do outro”, como Francesca Woodman e Ayrson Heráclito. “Cidades e Natureza” propõe uma percepção da quantidade de artistas que usam a fotografia como suporte do registro de paisagens, bem como o uso da “fotografia expandida”, com intervenções na apresentação das obras, como nos trabalhos de Pedro Motta.

SERVIÇO - SP-FOTO 2019 

Lista de galerias 

Almeida e Dale

Andrea Rehder

Arte 57

Arte Hall

Arteedições

Bianca Boeckel

Bolsa de Arte de Porto Alegre

Carcara Photo Art

Dan Galeria

Fólio

Fortes D’Aloia & Gabriel

Gabriel Wickbold

Galeria da Gávea

Galeria de Babel

Galeria Leme/AD

Galeria Lume

Galeria Marcelo Guarnieri

Galeria Mario Cohen

Galería Zielinsky

Instituto Mario Cravo Neto

Janaina Torres

LAMB

Luciana Brito

Luciana Caravello

Mapa

Mendes Wood DM

OMA

Portas Vilaseca

Silvia Cintra + Box 4

SIM

Utópica

Vermelho

Zipper

Talks

22/8

17h: Margot Norton e Guilherme Wisnik.

19h: Barbara Tennenbaum e Mario Cohen.

23/8

19h: Julieta González e Ronaldo Entler 

Meet the Artists

25/8

16h: Mauro Restiffe.

17h30: Bárbara Wagner & Benjamin de Burca

Visitação

21/8: 17h às 21h. 22 a 24/8: 14h às 21h. 25/8: 14h às 20h. Grátis. Shopping JK Iguatemi. Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041.

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Editoras conquistam espaço na SP-Foto 2019

SP-Foto cria o setor editorial para reunir livros de fotografia e de artistas

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2019 | 03h00

Há um ano, José Fujocka e Luciana Molisani inauguraram uma livraria especializada em livros de fotografia e de arte na Galeria Ouro Fino com cerca de 150 títulos. Hoje, somando 800 itens (650 livros e 150 fotos) no acervo, a Lovely House chega a SP-Foto com uma cuidadosa seleção e também como uma editora, tímida ainda, e com lançamentos de obras que não levam seu selo, mas que foram feitas com seu apoio.

A Lovely House é uma das oito casas que inauguram o setor editorial da feira, que começa nesta quarta, 21, em São Paulo. Até o ano passado, a Livraria Madalena era responsável por apresentar essa produção. Agora, a Madalena vai como editora, e estará ao lado, também, da Bei, Cobogó, Fotô Editorial, Terra Virgem, Vento Leste e Yow. Elas vão expor e vender seus livros (para todos os bolsos), em estandes de 4 m².

Para o curador Eder Chiodetto, que é um dos fundadores da Fotô, essa iniciativa vai colocar a feira em pé de igualdade com grandes eventos do mundo, como o Paris Photo e o Festival de Arles. “Tivemos uma conversa com a Fernanda Feitosa (diretora da SP-Foto) para mostrar a importância que os fotolivros adquiriram nos anos recentes como suporte de um trabalho autoral. Hoje em dia é comum ver fotógrafos priorizando investimentos para realizar um fotolivro no lugar de uma exposição em galeria, por exemplo”, conta.

Veterano na SP–Foto, Iatã Cannabrava, da Madalena, também vê como um avanço a criação desse espaço no evento. “A SP-Foto está dando um reconhecimento a uma história muito legal. Conheço muita gente que coleciona, hoje, livro de fotografia – e isso não tem a ver com dinheiro.”

Cannabrava está levando cerca de 30 títulos, a média das demais editoras, para a feira – são lançamentos, como Rolo, de Gui Galembeck; São Paulo S.M., de Ale Ruaro; The Best of Mr. Chao, de Guilherme Gerais; e Y, de José Yalenti, além de títulos do catálogo com desconto de até 50%. Por falar em promoção, aliás, Cannabrava diz que colecionadores interessados em comprar todo o catálogo da Madalena terão um “desconto absurdo”.

José Fujocka, da Lovely House, ressalta que o fato de as editoras levarem sua própria seleção de obras possibilita que outros tipos de narrativas e de publicações possam vir a público. “Não tem um recorte, um olhar, uma curadoria de uma única editora ou de um único curador. Conhecendo essas oito editoras que vão participar, as pessoas terão uma noção desse universo de publicações no Brasil.” Ele ressalta ainda que a visita ao estande serve também como um convite para que o diálogo continue em sua loja física.

Para os editores, a feira servirá de termômetro do momento atual do mercado de publicações de artistas e de fotógrafos. “Um mercado em criação e ao mesmo tempo promissor”, nas palavras de Chiodetto.

“À medida que os colecionadores e instituições de arte vão percebendo que os fotolivros deixaram de ser um mero portfólio do fotógrafo para ser uma obra feita com requintes de edição, impressão, narrativas não usuais, etc., eles começam a incorporá-los em suas coleções. Hoje, há no mercado internacional fotolivros que se tornaram um sucesso e são disputados em leilões", finaliza o editor.

SP-Foto

JK Iguatemi. Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041, tel. 3152-6800. Abre 4ª (21), 17h/21h. 5ª a sáb., 14h/21h; dom., 14h/20h. Até 25/

 

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SP-Foto: Galerias estreantes trazem nomes consolidados e promissores

Almeida e Dale + Leme, LAMB Arts e Zielinsky participam de feira pela primeira vez

Thaís Ferraz, especial para O Estado

21 de agosto de 2019 | 03h00

Três galerias participam pela primeira vez da SP-Foto em 2019. Almeida e Dale e LAMB Arts, de São Paulo, e Zielinsky, de Barcelona, trazem à feira artistas jovens e veteranos, com trabalhos que exploram universos diversos que vão da arquitetura ao sonho.

A galeria Almeida e Dale + Leme expõe mais de 50 obras de Jean Manzon (1915-1990) e Luiz Braga. Os trabalhos selecionados de Manzon foram produzidos entre os anos 1950 e 1960, em uma das expedições dos irmãos Villas Bôas ao Xingu. Já as fotografias de Luiz Braga, representações da periferia e da natureza do Pará, foram produzidas entre 1986 e 1990. 

“Nós estamos fazendo um trabalho de expansão para o público mais jovem”, afirma o galerista Antonio Almeida. Para ele, a SP-Foto tem um importante papel de formação de mercado e público. “É uma feira que tem um tíquete mais acessível para colecionadores jovens, que estão buscando iniciar uma coleção e aprimorar conhecimento”, diz. 

Baseada em Londres e em São Paulo, a LAMB Arts chega à SP-Foto após cinco anos de exposição na SP-Arte. Lucinda Bellm, dona da galeria, afirma que a intenção é trabalhar com artistas jovens e em ascensão. A LAMB expõe trabalhos de Tinko Czetwertynski
, Gleeson Paulino, Kate Bellm, Ruben Brulat e Fabricio Brambatti. Entre as fotografias de Brambatti, está Posso morrer feliz,que retrata os festejos de Iemanjá em Salvador, na Bahia.

A galeria Zielinsky reúne obras de cinco artistas: Eduardo Marco, Antoni Abade, Leonardo Finotti, Pachi Santiago e Yamandú Canosa. “São fotógrafos que, em tese, têm estéticas diferentes, mas nós fazemos a aproximação por temáticas e pela linguagem em P&B”, explica o galerista Ricardo Zielinsky.

Entre as obras, estão fotografias de Leonardo Shinoti, que registram tomadas aéreas de um jardim projetado por Burle Marx, a obra Música, de Antoni Abade, composta por 30 fotos de uma modelo falando em língua italiana de sinais.

 

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