SP-Arte/Foto abre nesta quarta sua oitava edição com 30 galerias

Evento tem ainda lançamento de livros e nomes disputados

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2014 | 20h00

A oitava edição da SP-Arte/Foto confirma São Paulo como a meca dos fotógrafos brasileiros. A cada ano cresce o número de galerias participantes da feira organizada por Fernanda Feitosa no Shopping JK Iguatemi. Nesta edição são 30 galerias, cinco a mais que na anterior, duas delas vindas de outras cidades (a Marcelo Guarnieri de Ribeirão Preto e a Bolsa de Arte de Porto Alegre). Até mesmo pequenas galerias como a Kamara Kó, de Belém, que trabalha basicamente com artistas locais, veio a São Paulo e já atraiu a atenção de colecionadores e dos curadores da Bienal de São Paulo. Três de seus artistas estão associados a recentes edições da mostra internacional, inclusive a atual, que será aberta em setembro e terá o fotógrafo Armando Queiroz como participante.

A feira virou também vitrine para lançamentos de livros e fórum de debates. A revista Select organiza este ano um ciclo de encontros no Shopping JK Iguatemi para discutir, entre outros temas, a aura da fotografia como objeto único e a paisagem em grande formato. Entre os lançamentos estão Viagem a Tóquio, livro do veterano arquiteto e fotógrafo paulista Cristiano Mascaro. Ele participa de outro projeto editorial, uma caixa lançada pela galeria Marcelo Guarnieri com fotos de Mascaro e outros profissionais, entre eles João Paulo Farkas. A galeria, criada em 2006, inaugurou recentemente sua filial em São Paulo, atraída pelo crescimento do setor no mercado.

O colecionismo foi um fator importante para essa evolução. Um dos maiores colecionadores de fotografia privados do País, Sílvio Frota, empresário cearense do ramo imobiliário, frequenta a SP-Arte/Foto desde sua primeira edição e já comprou muitas obras que hoje integram seu acervo, que, a partir do próximo ano, ganha casa própria em Fortaleza. Frota está reformando um prédio com 15 mil m² para abrigar aquele que será o primeiro museu de fotografia do Brasil.

"É algo que tem uma importância fundamental para a difusão da fotografia no Norte e Nordeste do País, partindo de um colecionador com um acervo tão importante como o de Joaquim Paiva", observa Fernanda Feitosa. Carioca, Paiva começou a colecionar em 1978, comprando fotos da americana Diane Arbus (1923-1971). Hoje tem mais de 2.800 fotografias, a maioria de fotógrafos estrangeiros, emprestadas ao MAM do Rio desde 2011.

"Aqui, em São Paulo, o Instituto Moreira Salles (IMS) inaugura sua nova sede em 2016 e deve dedicar um espaço para expor fotografia", adianta a organizadora da SP-Arte Foto. O IMS, que participou de todas as edições da feira, contribui para a difusão popular da foto, colocando à disposição do público exemplares a partir de R$ 800, o que atende a uma parte expressiva dos visitantes - 20% deles são frequentadores do shopping que entram na feira por curiosidade, segundo Fernanda Feitosa.

Naturalmente, os outros 80% vão atrás de fotos exclusivas e nomes internacionalmente reconhecidos que justifiquem o alto investimento - caso das imagens assinadas pela alemã Candida Höfer, presente nos acervos do Centre Georges Pompidou e Reina Sofia, que ultrapassam facilmente US$ 100 mil. Na feira deste ano várias estrelas internacionais dividem as atenções dos colecionadores, como o fotógrafo de moda norte-americano Richard Avedon, morto em 2004 (a galeria Fólio, que entrou recentemente na SP-Arte Foto, colocou um livro autografado dele à venda). Outro nome concorrido é o do alemão Frank Thiel, conhecido por suas fotos da arquitetura de Berlim, que agora mostra paisagens geladas no estande da Galeria Leme. Dois estrangeiros que participaram de quase todas as edições da feira são o espanhol Jose Manuel Ballester e o italiano Massimo Vitali.

O espaço maior da feira, no entanto, é dedicado a fotógrafos brasileiros. Agora virou uma febre a busca por edições vintage, ou seja, de época, especialmente as assinadas pelos pioneiros da abstração geométrica no Brasil, como o concreto Geraldo de Barros (1923-1998). Ele e companheiros de geração que marcaram o ano zero da fotografia experimental, como Thomas Farkas (1924-2011), são agora representados com exclusividade pela galeria Luciana Brito.

Entre os mais novos, um nome que desperta atenção no mercado é o do fotógrafo mineiro João Castilho. Aos 36 anos, ele já acumula prêmios importantes e recebeu, no ano passado, uma bolsa do Instituto Moreira Salles. Chama a atenção uma foto sua da série Zoo, no estande da galeria mineira Celma Albuquerque, realizada com esse incentivo da revista de fotografia Zum, mantida pelo IMS: é a imagem de uma oncinha numa sala de visitas (há também uma arara azul sobre uma cadeira, à venda na galeria Zipper). Da novíssima geração (abaixo dos 30 anos), destacam-se os paulistanos Camila Gama (representada pela galeria Room 8), que partiu da arquitetura urbana para a natureza, e Gabriel Wickbold, que viajou 10 mil quilômetros pelo interior do País registrando tipos brasileiros. Na galeria Lume, ele mostra seu trabalho mais recente, da série Sans Tache, nu impresso sobre papel de algodão consumido por grilos.

SP-ARTE FOTO

Shopping JK Iguatemi. Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041, piso 3. Abre nesta quarta-feira, para convidados, às 15 h. De 5ª a sáb., 15/21h. Grátis.

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