Sonny Rollins vem ao País em outubro

Remanescente da era de ouro do gênero, mito dos anos 50, saxofonista tenor confirma vinda a festival em seu site

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

Um dos maiores mitos do jazz mundial, último remanescente de uma era de ouro do gênero, o saxofonista Sonny Rollins, de 78 anos, confirmou em seu site oficial a vinda ao Brasil em outubro, para o TIM Festival. Rollins tocará no Auditório do Ibirapuera, no dia 21 de outubro; no dia seguinte, toca na Marina da Glória, no Rio de Janeiro; no dia 25, volta a tocar no Auditório do Ibirapuera.A única vez em que Rollins esteve no Brasil foi em 1985, para o extinto Free Jazz Festival, há 23 anos. O saxofonista é tido como um dos maiores improvisadores ao vivo do jazz, considerado o remanescente da geração que redefiniu essa música. Tocou com Billie Holiday, Duke Ellington, Coleman Hawkins, e gravou com Bud Powell, J.J. Johnson e Miles Davis, entre outros. Com apenas 25 anos já era um dos pilares do gênero. Há anos que a organização do festival tenta trazê-lo, sem sucesso.Nascido no Harlem, em 1930, Theodore Walter Rollins teve de interromper a carreira nos anos 1950 para se tratar do vício da heroína, que o levou à prisão duas vezes e a diversas internações de emergência. Em 1954, voltou recuperado. A partir daí, sua carreira como músico e compositor se tornou ainda mais sólida, e suas colaborações com Miles Davis, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk entraram para a história da música popular americana. Ainda nos anos 1950, ficou famosa sua parceria com o baterista Max Roach. Juntos, Roach, Rollins e mais o pianista Tommy Flanagan e o baixista Doug Watkins gravaram o disco Saxophone Colossus, em Nova York, em 22 de junho de 1956.Com sua figura excêntrica, chapéus e cortes de cabelo diferentes, além de um grande apreço, como seu amigo John Coltrane, por filosofia oriental e ioga (estudou zen budismo no Japão), ele deu ao sax tenor um pouco de sua personalidade e estilo. Compôs muitos clássicos, mas um deles é particularmente querido: St. Thomas, que abre o disco Saxophone Colossus, e faz referência à ilha de onde vieram seus pais para os Estados Unidos.Segundo o próprio Rollins, suas grandes influências iniciais foram Louis Armstrong, Fats Waller, Louis Jordan e Coleman Hawkins.Com a vinda de Sonny Rollins, 2008 promete ser um ano exuberante para o jazz no Brasil. O Festival de Ouro Preto tem intenção de colocar uma orquestra de jazz tocando ao ar livre, sob a regência da maestrina e compositora americana Maria Schneider. A compositora, antiga assistente de Gil Evans, veio ao Brasil pela primeira vez em 1998.Finalmente, São Paulo deverá receber um novo festival do gênero, o Bridgestone Music Festival, que será anunciado oficialmente em breve. Entre os nomes confirmados, está o de outra lenda do jazz, o tecladista Dr. Lonnie Smith, mestre do Hammond B3. Smith gravou e tocou, entre outros, com Randy Brecker, John Abercrombie, Kenny Garrett, Lenny White, Joe Lovano, Jimmy McGriff, Frank Foster, Ron Carter, Grover Washington, Jr. e Dizzy Gillespie.Já o TIM Festival, se se confirmarem os rumores - há boatos de que Leonard Cohen, Radiohead, Amy Winehouse e Gossip já fecharam -, pode fazer uma edição história. Precisa apenas equacionar o grande problema do local dos shows de arena em São Paulo, já que a jornada do ano passado foi desastrosa para os fãs, com atrasos de até 5 horas nos shows.

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