Som do Beco das Garrafas pelos protagonistas

João Donato, Paulo Moura e Osmar Milito participam de tributo ao lendário celeiro da música brasileira

Lucas Nobile, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

Muitos dos personagens que participam do Copa Fest, no Rio de Janeiro, um tributo ao lendário Beco das Garrafas, têm propriedade para prestar tal homenagem porque protagonizaram a história há quase 50 anos. A pompa e o luxo do Hotel Copacabana Palace, onde os músicos se apresentam hoje e amanhã, contrastam com o clima enevoado das três principais casas em que eles mesmos ajudaram a pavimentar a estrada da música instrumental brasileira: Little Club, Bottle?s Bar e Bacará, todas de propriedade dos irmãos Giovanni e Alberico Campana.O evento teve início na noite de ontem com o gaitista Gabriel Grossi e o David Feldman Trio - que tem em sua formação o baixista Sérgio Barrozo, que se apresentava frequentemente no Beco, e Paulinho Braga, baterista que fazia parte do trio infernal que acompanhava Elis Regina, ao lado de César Camargo Mariano, no piano, e Luizão Maia, no baixo. Na sequência, outra lenda viva, Paulinho Trompete e banda Sambop.Hoje e amanhã a homenagem continua, como se dizia nos tempos do Beco, "da pesada". Logo depois do Pagode Jazz Sardinha?s Club se apresentar, João Donato e Paulo Moura tocarão algumas músicas do disco mais recente gravado por eles, Dois Panos pra Manga. "Os músicos eram atraídos para as jam sessions no Little Club aos domingos. Era o encontro daqueles que gostavam de jazz. Às vezes eu saía da TV Excelsior e ia pra lá para encontrar os amigos para falar de música", diz o clarinetista Paulo Moura.Em seguida, outro reencontro com o passado. Acompanhado da Banda Magnética, o multinstrumentista Zé Luis retorna ao País depois de quase 20 anos de exílio em Nova York, onde estudou composição na renomada Juilliard School. Encerrando o festival, no domingo, um dos maiores pianistas da era de ouro da bossa nova e do samba-jazz, que teve o auge na década de 1960, Osmar Milito. "Até hoje o Paulo Moura passa pelo menos uma vez lá em casa pra gente tocar", diz Milito, que receberá os músicos das noites anteriores para alguns números. Promessa de arranjos bem soltos e abertos para os improvisos de quem sabe o que faz.

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