Solos para repensar o coletivo

Mostra que começa hoje, e vai até o dia 29 no CCSP, expõe novas inquietações contemporâneas

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

04 de março de 2009 | 00h00

Um exercício contundente foi proposto a coreógrafos e bailarinos que já possuem um trabalho em grupo estabelecido - e reconhecido. Jorge Garcia, Miriam Druwe e Diogo Granato vão expor experimentações pessoais inéditas de hoje e até o dia 15 na temporada de Solos, Duos e Trios, do Centro Cultural São Paulo. "Eles vão apresentar seus processos pessoais e repensá-los como se tivessem uma lupa, a fim de ampliar os pequenos recortes", conta Lara Pinheiro, chefe da curadoria de dança do CCSP.Nos últimos dois fins de semana do mês, ocorre então a segunda parte do programa, que dará espaço a jovens solistas e coletivos. A seleção foi feita de acordo com os trabalhos já apresentados por esses artistas não tão iniciantes, e que já apresentam questionamentos corporais considerados relevantes. Serão 10 participantes, divididos em duplas durante 15 dias de mostra, cujas apresentações se repetirão eventualmente. Entre os nomes estão Alan Schrek, com a peça O Cego e o Aleijado, Isabel Hölzl, com Entre, e Júlia Rocha, com Tentativa de Salvar o Mundo. A maioria iniciou sua pesquisa no projeto 10 Solos e Reverberações, da Key Zetta & Cia, no ano passado, contemplado pelo prêmio Funarte de dança Klauss Vianna.Paralelamente às apresentações, vão ocorrer dois debates com a crítica do Estado e professora da PUC-SP Helena Katz. O primeiro, que será realizado no dia 12, às 20h30 (meia hora antes dos espetáculos), vai ser dedicado à discussão da proposta do primeiro programa: como é voltar a um processo de criação pessoal, depois de ter ajustado seu corpo ao trabalho coletivo? Como ocorrem os novos treinamentos na dança, que adicionam movimentos das mais variadas áreas, inclusive a de artes marciais? Já no dia 26, no mesmo horário, Helena vai conduzir um bate-papo acerca dos coletivos e como acontece a sua formação e organização no atual momento da dança. "O debate oferece o respaldo que tem por objetivo amarrar bem os conceitos", diz Lara.Aliás, os conceitos das próprias mostras de dança do CCSP estão passando por uma reestruturação, também coordenada por Lara Pinheiro. As quase lendárias e intocáveis Masculino e Feminino na Dança vão deixar de existir, após 17 anos. Em seu lugar, foram convidados seis nomes de representação notável da cena paulista, como Marta Soares e Sandro Borelli, que vão repensar trabalhos já mostrados no CCSP há alguns anos. "A ideia, muito bem recebida pela classe, é refrescar a dança contemporânea brasileira", garante Lara. ServiçoCentro Cultural São Paulo. R. Vergueiro, 1.000, tel. 3397-4002. De hoje a sáb., às 21 h; dom., 20 h. Grátis

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