Sobre a impossibilidade de conhecer a História

Em 2.º Dom Pedro 2.º grupo provoca espectador a refletir sobre a multiplicidade de versões do passado

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

06 Março 2009 | 00h00

Eles já haviam adotado narrativa duvidosa e irônica para falar do reinado de d. Pedro I em Chalaça, peça que teve como ponto de partida o livro homônimo de José Roberto Torero, mas acabou sendo construída a partir de pesquisa histórica. Pois essa é também a matéria de 2º D. Pedro 2º, que estreia hoje no Teatro Sérgio Cardoso. Mas ninguém espere repeteco, mesmo que Chalaça tenha tido ótima recepção de público. "A abordagem temática é muito distinta e a construção cênica mais ainda", garante Carlos Canhameiros, ator fundador da companhia, criada em 2005 em Campinas, dentro da Unicamp. "Desta vez o foco não é a História, mas os historiadores e a diversidade de pontos de vista sobre um mesmo fato", diz Canhameiro. "Como ele governou por 49 anos, há material demais sobre essa figura e as contradições são também muitas. Por exemplo, um historiador é capaz de defini-lo como medíocre, é essa a palavra, enquanto outro o coloca entre os melhores governantes do mundo." Esse mosaico de visões levou o grupo a usar radicalmente o recurso da projeção em vídeo, tanto gravada quando em tempo real. "Não por mera pirotecnia ou moda, a linguagem surgiu no processo." Apoiados pelo Fomento, o grupo agregou jovens que acompanharam o processo de criação e acabaram criando seu próprio espetáculo, Somos de Feitos, a partir de indagações sobre o que é ser brasileiro. Serviço 2º D. Pedro 2º. 85 min. 14 anos. sex. 21h30; sab. 21 hs; dom. 19h. Estreia hoje. Até 26/4 Somos de Feitos. 60min. 12 anos. quar. e quin. 21h. Estreia quar. Até 30/4 Sala Paschoal Carlos Magno,Teatro Sérgio Cardoso. (144 lug.) Rua Rui Barbosa, 153, tel. 3288-0136. R$ 20,00

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