Sob o pretexto da busca da onda perfeita

f Adventures 2 tem momentos interessantes, ao mostrar o périplo dos surfistas pelas praias do Brasil e do exterior   Veja trailer de Surf Adventures 2 Surf Adventures 2 - A Busca Continua. De que busca fala o filme de Roberto Moura? De um mito surfista - a onda perfeita. Que, por ser perfeita, por definição não existe. E assim a busca deve continuar indefinidamente, de país em país, de praia em praia. Ondas há, e de todos os tipos - é o que nos ensina essa simpática continuação da aventura. Ondas grandes, pequenas, tubos, e até mesmo as ondas da pororoca, na parte mais original do périplo. A viagem leva os surfistas a vários pontos do Brasil e da América Latina. Fora do continente, vão procurar onde deslizar suas pranchas na Austrália e no Taiti, entre outros pontos paradisíacos. Num determinado momento, o espectador pode ser levado a considerar que o surfe pode ser excelente desculpa para levar um vidão, pois tudo parece (e é) uma farra entre amigos. Mas, claro, há um lado profissional em tudo isso. E, por mais que curtam praia, sol, mar e garotas, várias vezes os surfistas são obrigados a enfrentar as águas frias e os desafios das ondas gigantes. Esse é o lado mais estimulante do esporte. Provar-se em situações difíceis, e elas não deixam de aparecer sob as situações mais inusitadas. Por exemplo, se é fácil prever que ondas gigantes dão frio na espinha, é menos óbvio considerar as pequenas ondas da pororoca como desafio a sério. E no entanto é o que acontece. Como diz um dos rapazes, na pororoca você vai do céu ao inferno em um segundo. A ondinha da frente é ótima, o surfista pode se equilibrar em cima dela por um tempão. Um passeio. Mas, ao cair, encontra águas revoltas por trás, correntezas indomáveis que o levam à deriva até ser resgatado por um jet ski que acompanha de perto os movimentos. Essa parte é a mais interessante do filme - pois introduz um elemento novo, ao menos para o público leigo. O resto tende um pouco à repetição. Afinal, para surfistas tarimbados, cada onda parece uma entidade em si, com personalidade própria, traços característicos, virtudes e dificuldades que cria para os que a desafiam. Mas, para os leigos, uma onda é uma onda - para falar como Gertrude Stein falava das rosas. Vale registrar que a filmagem tem efeito visual interessante e a trilha musical forma o clima de embalo propício para que a coisa funcione. As viagens são simpáticas e os rapazes e as raras moças que participam do grupo, idem. Talvez o filme seja dirigido a um público específico. Mas, mesmo se você não fizer parte dele, não vai deixar de se divertir, pelo menos um pouco.

, O Estadao de S.Paulo

28 Março 2009 | 00h00

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