Sob 20 mil litros de água, o desafio de bailarinos-acrobatas

Com um brasileiro no elenco, a cia. italiana Materiali Resistenti mostra Waterwall

Roberta Pennafort, Rio, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2008 | 00h00

São 15 bailarinos-acrobatas em cena, movendo-se sem parar sob milhares de litros d''água, que jorram de uma estrutura metálica de 4 m de altura. Mas, aos olhos de uma família do bairro paulistano de Santo Amaro, só existirá um foco de atenção, hoje à noite, na estréia de Waterwall, espetáculo da companhia italiana Materiali Resistenti Dance Factory, no palco do Credicard Hall: Luis Augusto Mangini, de 28 anos, radicado na Europa há oito.Ginasta, dançarino, vice-campeão brasileiro de saltos ornamentais, ele está na companhia desde 2004 . Morava na Espanha quando conheceu o trabalho de Ivan Manzoni, coreógrafo-fundador da Materiali Resistenti. ''Soube do trabalho pela internet e achei interessante. A seleção é bem rigorosa: querem bailarinos que façam acrobacias ou acrobatas que dancem. Como tenho uma mistura de habilidades, entrei!'', contou Mangini ao Estado no dia 14, horas antes de Waterwall estrear no Rio. ''Estou contente de vir ao Brasil. É muito especial me apresentar diante da família.''Ele, como os colegas (12 italianos, um alemão e um esloveno, sendo seis homens e nove mulheres entre 22 e 38 anos), tem de enfrentar um desafio e tanto: dançar e fazer movimentos ousados, com cordas e elásticos, por mais de uma hora, sob uma pesada cascata - são 20 mil litros a cada cidade pela qual o espetáculo passa (tudo é reaproveitado, conforme informa a companhia).''É difícil trabalhar debaixo d''água. Às vezes, pode acabar mudando a posição de braço e de perna'', diz a italiana Guendalina Agliardi, assistente de Manzoni, na trupe desde 2002 (pela primeira vez ela ficará nos bastidores). ''Se não confiarmos uns nos outros fica perigoso.''Apesar dos cuidados (treinamento específico, roupas, luvas e sapatos especiais), acidentes acontecem. ''É tudo escorregadio. Tive lesão muscular nos dois pés e fiquei um mês sem andar. É muito esforço muscular. Também já peguei gripe numa temporada na Itália'', relata o brasileiro.Waterwall foi concebido em 1999 e formato bem mais modesto (eram seis bailarinos). É fruto de um sonho de Manzoni, lembra Patrizia Capellari, diretora do grupo. ''Ele sempre trabalhou com a interação entre dançarinos e máquinas. Waterwall é um espetáculo tecnicamente difícil. O set é grande, viajamos com 1,2 tonelada de equipamento, temos quatro técnicos italianos, dois americanos...'', enumera. ''Waterwall é um work in progress; a coreografia é sempre mudada.''O show já rodou o mundo. Ganhou, em 2003, o prêmio Total Theatre Award no famoso Festival de Edimburgo, na Escócia. A música (eletrônica), de Domenico Mezzatesta, foi especialmente composta para embalar os rodopios, saltos e movimentos de dança contemporânea executados pelos bailarinos. A luz é outro elemento cênico importante. Waterwall será apresentado no Credicard Hall de hoje a domingo e nos dias 28 e 30.ServiçoWaterwall. Credicard Hall (2 mil lug.). Av. Nações Unidas, 17.955. 6846-6010. 4.ª e 5ª, 21h30; 6.ª, 22 h; sáb.,17 h e 22 h; dom., 16 h e 21 h. R$ 60/R$ 160. Até 30/5

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